Breve Contexto

Desde que passou dos centros de pesquisas militares para as mãos da iniciativa privada, a Internet não parou de crescer. E cresceu para todos lados possíveis. Desde a publicação de conteúdo aberto até a convergência de mídias, a Internet tornou-se palco da contemporaneidade, potencializando a velocidade das relações e a troca de informações globalmente.

Descentralizada, a rede espalhou-se por todos os cantos do mundo e milhões de pessoas estão plugadas diariamente. E somente agora começamos a compreender que a rede mundial de computadores não veio se apresentar como uma ferramenta instituidora de uma fase ou de um momento tecnológico. No mundo globalizado e cada vez mais frenético, a rede expandiu seus horizontes para além da simples disponibilização de conteúdos e avançou na direção de níveis de interação imaginados antes apenas na ficção. E alguns especialistas dizem: “Isso é apenas o começo”. E parece ser mesmo.

Caminhamos nos últimos meses para a presença cada vez mais comum da palavra “web 2.0.” e “comunicação 2.0.”. O que antes era tido como “papo de geeks” passa a dominar as esferas offline. A publicidade (observando-se iniciativas como Nescau 2.0.) e o próprio jornalismo (proliferação da blogosfera), como caminhos da Comunicação Social, estão cada vez mais imersos nas potencialidades e especificidades da Internet.

Percebe-se que é impossível conter o avanço dos processos comunicacionais possibilitados pelas especificidades da Internet, e, pensar 2.0. tornou-se algo mais importante que apenas se estruturar sob os preceitos de teorias tradicionais, como newsmaking e agenda setting.

Um Monstro: o Império da Velocidade

Meses atrás eu iniciei a escrita de uma série de contos que, inspirados nos cenários de William Gibson, apontavam para um mundo distópico, dominado pela freneticidade das telecomunicações. Os cenários haviam mudado. A política e a economia tornariam-se cada vez mais dependentes dos conglomerados de telecomunicações que estavam no comando dos maiores servidores do planeta. Infinito número de informações estaria em tráfego nesses servidores e a humanidade tornou-se dependente de tudo que estivesse na rede.

Como este tipo de situação demandaria alto investimento de grupos privados, obviamente todo o tráfego global de informações passaria pelas mãos daqueles que estivessem no comando destas corporações. Incrível imaginar que RPGs como Shadowrun e Cyberpunk já haviam pronunciado a dominação tecnológica como o próximo grande império.

Alucinados pela velocidade absurda atingida em um futuro próximo, os cidadãos perceberiam-se cada vez mais mecanizados pela máquina do mainstream que agora estaria presente não apenas na mídia tradicional, mas em todos os espaços impetrados pela internet. O mundo dominado por um Império da Velocidade, onde cada vez mais as coisas tornam-se mais rápidas; onde cada vez mais pensa-se menos e faz-se mais, mesmo não se entendendo o motivo.

Se a mecanização do pensamento fomentada pelo Capitalismo é tida como um monstro devorador de humanidades, imaginemos então com que potência seria este novo golpe. O mundo plugado, os mercados correndo pela rede, torres de tráfego aéreo, bolsas de valores, controles militares, centros de pesquisa, universidades, hospitais, sistemas de segurança pública, sistemas de saneamento, sistemas elétricos e de tráfego e por aí vai. Todos plugados.

Quando se fala em Hipermodernismo, como passo “à frente” do pós-modernismo, parece-nos ingênuo crer que tamanha fragmentação da essência humana possa nos tornar mais complexos e evoluídos em nossa relação com a realidade e a irrealidade. A fragmentação que é elevada à enésima potência no mundo virtual beira o absurdo e torna-nos cada vez menos aptos a compreender as variáveis da (r)evolução humana ao longo da História. Quantos de nós trabalham para viver e vivem para trabalhar? Quantos de nós se satisfazem na labuta rotineira? Quantos de nós têm tempo para pensar em como deixar rastros mais elegantes e saudáveis para nossas proles?

Ondas Tecnológicas

Fica-me cada vez mais claro como funcionam os movimentos da Internet. Apesar de sua arquitetura descentralizada, a rede parece-me uma teia que sofre mutações a todo instante. Mutações sob a forma de ondas que percorrem toda a rede, ou, pelo menos, grandes porções de suas vastidões, arrastando consigo todos os nós que possam acompanhá-la. Essas ondas podem se estabelecer como avanços tanto tecnológicos quanto sócio-comportamentais. Vejamos alguns exemplos dessas “fases” que vieram e passaram, como ondas no mar de informações:

  • BBS e os primeiros servidores públicos
  • Primeiros serviços de hospedagem
  • Canais de bate-papo (chats)
  • Convergência de mídias: áudio, vídeo e imagens (scanners)
  • Palace (chat gráfico) e IRC
  • Sites usando gifs animados
  • ICQ
  • MSN
  • Convergência: transmissão em banda-larga (NetMeeting e congêneres)
  • Incorporação de serviços (webcams e áudio acoplados ao MSN, por exemplo).
  • Jogos multiplayer online (Quake)
  • Jogos massive (Ultima Online)
  • Evolução gráfica aprimorada por serviços de bandalarga cada vez mais barato (Flash)
  • Serviços gratuitos de inserção de conteúdos (blogs e fotologs)
  • Sites de relacionamento (Orkut, Myspace, Via6)
  • Mundos virtuais (Second Life e World of Warcraft)
  • Interação aprimorada (Surface)
  • Potencialização da comunicação interativa na rede mundial (blogsfera aliada a serviços de widgets)
  • Varreduras mais precisas do conteúdo online (Google Services)
  • Web 2.0.: Jornalismo participativo (retroalimentado pela própria audiência)
  • Cartografia da Informação (estabelecimento de mapas informacionais)

Este é apenas um rascunho do processo evolutivo da rede, mas nos mostra como a complexidade dos serviços soma-se à velocidade de seus atributos. E pensar que isso tudo aconteceu em questão de poucos anos, se comparado à inserção do rádio (e depois a tv) na sociedade moderna.

(continua)

Pouco tempo atrás estava vasculhando a Internet em busca de coisas interessantes para conhecer. E, obviamente, em algum momento acabei rendendo-me às muralhas das bookmarks. E na estrada de tijolos amarelos em que caminhava deparei-me com o Libellus, claro.

Lá o post era o seguinte: Publicidade 2.0,

A pesquisadora e jornalista Ana Maria Brambilla aponta que em uma matéria na www.gazeta.com.br, intitulada “Internet colaborativa influencia publicidade”, os autores fizeram uma boa seleção de grandes projetos publicitários que haviam, de alguma maneira, feito proveito das práticas 2.0 vigentes no ciberespaço. Citam exemplos como Nescau 2.0 e “Eu sou “fulano” e esse FIAT é meu”

E pensar que antes falávamos tão ansiosos em “mídias convergentes”. Como se apenas alguns canais de comunicação estivessem ativos e ainda seguissem um curso pré-definido. O que se pode perceber aqui, tomando a licença de não cair por sobre os vastos mares da discussão política em torno das consequências disso numa super-estrutura, é que, de certa maneira, o avanço que a tecnologia segue é inominável. Em questão de poucos anos percebemos o mainstream sendo utilizado pelas práticas colaborativas 2.0. como apenas mais um elemento, ou seja, não mais como elemento central na articulação do projeto publicitário. Afinal, levando-se em conta que a televisão, em alguma situação, pudesse ser substituída pela mídia impressa ou pelo rádio, o elemento central da lógica dessa propaganda é a possibilidade da audiência suprir, de alguma maneira, o próprio anunciante com um feedback instantâneo, convertido para um formato de publicação. O principal elemento articulador da cadeia de comunicação estabelecida aí é a participação (possibilitada pela web2.0 e não pela televisão). Assim, o anunciante, além de receber o feedback instântaneo (que os sites já permitem), ainda convida a audiência a participar da criação e manutenção do comercial, enviando vídeos que (no caso do Nescau 2.0.) são utilizados para a confecção do próximo comercial.

Está claro um efeito material em larga escala da exploração dos processos comunicacionais típicos da web2.0. pela publicidade. Os benefícios publicitários dessa iniciativa são enormes, uma vez que a empresa provavelmente faz um filtro “editorial” sobre o que entra e o que não entra, recebe uma visão de perfil de mercado sem precedentes e ainda fideliza muito mais os consumidores.

Mas há de se pensar que esse tipo de “colaboração” é estranha para os fins que tanto são enaltecidos em alguns estudos de processos 2.0. e congêneres. A colaboração aí é uma característica essencial, mas apenas na sua questão mecânica. No sentido de que alguém oferece o canal e outrem o utiliza. Particularmente tenho visto exemplos de processos colaborativos que caminham para propostas mais interessantes, sob o prisma da Comunicação como ação humana e social. E mais uma vez acabo percebendo a publicidade como servo gentil e traiçoeiro de interesses quaisquer. Uma idéia como a de Nescau 2.0. nasce para si, cresce para si e morre para si. Talvez esse tipo de comunicação que a Publicidade ali trabalhou (e, convenhamos, trabalhou muito bem) devesse ser chamado de 1.5.

Apenas uma pergunta. Espero respostas de vocês, meus amigos leitores:

esqudrinhando.jpgQUAL O PAPEL DA INTERNET NA ARTICULAÇÃO SOCIAL?
- Quem quer comandá-la? Por quê?
- Qual a inserção da Internet na esfera pública?
- Mídias Sociais é o novo termo na onda da rede. Por quê?
- Lidando com o inevitável, como acredita que estarão as coisas daqui 10 anos, em termos sócio-estruturais (não em tecnologia)?
- Qual a real presença da Internet no campo da Comunicação Social?

- Para participar, leia como funciona o projeto.

Qual será o tema da III Ciranda de Textos da lista JW???

Quero convidar aos atuais participantes para já irem pensando em alguma coisa. E também convidar todos que se interessarem a conhecer melhor o projeto Ciranda de Textos.

O que são Mídias Sociais?

Tem muita gente falando em Mídias Sociais como se fosse o “próximo hit”, ou seja, como se fosse mais uma fase da web a ser explorada financeiramente até os últimos resquícios. De fato, todos que pretendam trabalhar na web têm que começar a pensar em projetos sérios que tragam algum retorno, mas, para tanto, não adiantar querer dar nó em pingo d’água.

O termo Mídias Sociais, ou SocialMedia, vem sendo muito discutido nos mais variados espaços de debate envolvidos na web brazuca. Mas o que se fala em Mídia Social? E o que se faz em Mídia Social?

Primeiramente, este termo aloca grandes avanços consagrados pela web2.0, ou seja, a valorização da participação da audiência, abertura de conteúdo, construção de redes alternativas ao mainstream, valorização do debate em detrimento do vômito de informação, maior capacidade de explorar os recursos da rede para o tecer de narrativas mais elaboradas, utilizadoras dos mais variados avanços tecnológicos disponíveis no mundo da telemática contemporâneo. Mas o que deve mudar ao se pensar em SocialMedia???

Exatamente o pensamento. Deve-se mudar a maneira de se encarar internet. Chega de vê-la, pensá-la e utilizá-la apenas como instrumento, ferramenta ou terreno virtual. Com a consolidação dos ambientes 2.0, ficou muito visível o peso que a organização da audiência vem tomando no próprio ato da comunicação social. Veículos do mainstream que valorizam velocidade e imensos catálogos de conteúdo começam a perceber que a produção da audiência é muito mais saborosa, menos maquínica e cheia de surpresas.

Precisamos perceber, no entanto, que o grosso da população brasileira ainda está fora da Internet. Assim, não adianta valorizar uma potente produção de conteúdo se o canal de vazão deste conteúdo ainda continuar sendo a pequena porcentagem da população que têm acesso fácil à Internet. Mas que inclusão digital está sendo feita? Ainda temos pessoas morrendo em filas de hospitais. É difícil falar em Inclusão Digital se a todo instante estamos trombando com uma voraz Exclusão Social.

Acho preocupante que tanto falemos em Mídias Sociais sem, na verdade, nos debruçarmos sobre um problema complicadíssimo: Inclusão Digital sem Inclusão Social é Instrumentalização Técnica. E quem será que ganha com isso?

Não tem muito o que falar.

Simplesmente acesse!!!
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Começa hoje a desconferência de jornalistas 2.0. O evento acontecerá no Espaço Gafanhoto, na Rebouças. Mais de 30 participantes conversarão sobre jornalismo online, mídias sociais e tendências da tecnologia.

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Hoje pela manhã, como de costume, abri meu email esperando encontrar oportunidades de emprego. E como de costume também o resultado foi o mesmo dos últimos tempos: NADA.

Então, já visualizando os demais e-mails deparei-me com alguns que vivem chegando pela deliciosa lista Jornalistas da Web. Pulando de um para o outro resolvi fazer uma visita no próprio site da lista para ver quais as novidades por lá. O primeiro tópico que me apareceu na home foi convidativo: “O NOVO PROFISSIONAL: Conheça algumas habilidades inerentes ao webjornalista”. Hummm. Muito interessante. Cliquei. A matéria então era “Você sabe o que é Jornalismo Online?“, postada por Mário Cavalcanti e escrita por Bia Mansur.

Ao deparar com essa pergunta-título logo veio-me à cabeça que exatamente estas duas expressões: “Webjornalismo” e “Jornalismo Online” foram alvo de empenho teórico na produção de um trabalho acadêmico em 2006. Na escrita daquele trabalho eu e Fernanda Abras percebemos ser necessária precisa explicitação, pelo menos do ponto de vista conceitual, das diferenças entre Webjornalismo e Jornalismo Online.

O mais interessante é que fizemos essa distinção justamente por considerarmos mais prudente estabelecermos linhas guias comuns para a articulação do raciocínio sobre o próprio cenário jornalístico que se configura na web. Preocupados em não apenas demonstrarmos facetas mutáveis da web (como a análise de procedimentos dependentes de ferramentas ou programas que logo se tornam obsoletos) concentramo-nos na crítica ao modus operandi do trabalho jornalístico. Ou seja, concentramo-nos nas potenciais diferenças entre adotar a Internet como vitrine de produção e utilizá-la como mapa de trabalho.

É prática comum das das vitrines de produção injetarem vasto conteúdo usando grandes vantagens da web como a capacidade de memória e banco-de-dados para gerar imensos catálogos enciclopédicos sobre o que acontece no mundo. Apesar de seus prós e contras, estas vitrines ocuparam seu espaço e sua ausência, atualmente, chega a ser incocebível.

Mapas de trabalho, ou cartografia. Eis um termo que tornou-se cada vez mais forte à medida que desenvolvi um trabalho de Iniciação Científica com o prof. Jorge Rocha, do blog O Jornalismo Morreu. Analisando iniciativas ao redor da www, percebemos que mesmo com a forte presença do mainstream na alimentação de conteúdo, alguns projetos vinham dando certo e ganhando respeito. Sites como OhMyNews International e SlashDot foram analisados não a partir das ferramentas que utilizavam e coisas meramente funcionais. Neles percebemos que o jeito de se pensar na Comunicação estava se alterando. O papel do clássico mediador, gatekeeper, começava a perder força, uma vez que quanto mais abertos à participação os sites se tornavam, mais e mais ferramentas e outras iniciativas nasciam. Até que se consolidou de vez o termo web2.0. O jornalista agora estava em níveis semelhantes com sua audiência. Todos produziam conteúdo. Mas caos informacional não é conhecimento. Para tanto é necessário articular isso tudo. Ou ao menos fazer sugestões, como um mapa pode fazer, e um cartógrafo da informação deve fazer.

Retornando então à minha argumentação tema deste pensmento, vejo, com certo incômodo, o uso dos termos como que representantes da mesma coisa. Webjornalismo e Jornalismo Online devem ser diferenciados. Ou devemos estabelecer um termo comum para cada uma das práticas. Afinal estamos lidando com maneiras muito distintas, profundas e lapidadas de observar a Comunicação Mediada por Computadores. Há uma diferença no modo como observar a rede. Deve-se escolher através de qual prisma observar.

Já apontando para estas diferenças importantes e explicando-as brevemente, creio ser interessante também apresentar alguns pontos da matéria de Bia Mansur que me permitiram mais reflexões.

Para Bruno Rodrigues, autor de ‘Webwriting - Redação & Informação para a Web’, consultor em informação e comunicação digital, o profissional de comunicação precisa ter curiosidade por todas as mídias, tanto tradicionais quanto digitais, e uma grande vocação para lidar com a informação.

- Jornalista que não está imerso na evolução não tem futuro. Isso porque ele deve pensar o conteúdo como algo único, mas multifacetado. Sua missão é adaptar a informação às diferentes plataformas onde será veiculada - explicou. [Bruno Rodrigues]

Discordo deste ponto de vista do consultor Bruno Rodrigues. Não acredito que a missão seja esta, levando em conta a velocidade com que as conexões trabalham hoje, cada vez mais interacionais e mais baratas. A participação potente do público é questão de tempo. Então, independente da produção seguindo restrições quanto à plataforma, acredito que a missão do jornalista que pense em web2.0, seja alicerçar o que vêm de cada um das plataformas e permitir que a narrativa gerada disso seja acessível em cada uma das plataformas. Conexão fractal. A menor parte tem tudo que o todo deve ter: Teoria da Complexidade, Edgar Morin.

O certo é que, mesmo na era digital, o bom jornalista continua bom jornalista, só trabalhando mais rápido. Bia Mansur

Outro ponto que discordo. Não acredito que isso seja o “certo”. Até porque estamos vivenciando uma indefinição conceitual sobre o próprio campo por onde caminhamos. Portanto, cegos quanto ao nosso cenário, é perigoso traçar esse tipo de trilha considerando-a “salva” dos perigos das bolhas web.


Leia a matéria de Bia Mansur, para o Jornalistas da Web. Entrevistas com Bruno Rodrigues e Meira da Rocha. Pesquisadores de jornalismo online.

|A|GENDA:

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NewsCamp - I Edição - a desconferência de Jornalistas 2.0
Onde: Gafanhoto - Av. Rebouças, 3181 - São Paulo - SP ( a confirmar)
Quando: 8 de março - sabádo
Horário: 9h00 às 17h00
Inscrição: enviar email para  ceilasan@gmail.com
Como chegar:
Ponto de ônibus próximo ao Gafanhoto: Faria Lima
Linhas:
Av. Paulista => Gafanhoto

Linha:
Vila Gomes
Pq. Engenho
Jd. Maria Luiza

  • Gafanhoto => Av. Paulista

Linha:
Jd. Miriam
Est. Ana Rosa
Lgo. da Pólvora (Somente até o Objetivo/Gazeta)

Para outros locais:

Com o nome da rua, você pode fazer uma pesquisa de itinerários no site
da SPTrans.
http://200.99.150.164/PlanOperWeb/
ou
http://www.sptrans.com.br/consulta/consulta.htm

Carro:Para rotas é possível usar o Apontador ou GuiaMais.

Metrô:Não há estação do metrô próxima do Gafanhoto. O preço da passagem também R$2,30. A estação mais próxima é a Consolação (linha 3, verde), de lá será necessário ônibus (Av. Paulista => Gafanhoto) ou uma BOA caminhada na Rebouças!
Mais Informações sobre linhas do metrô: http://www.metro.sp.gov.br/redes/teredes.shtml

Lembro-me que em 2006 escrevi um artigo que criticava o nascimento, espontâneo ou não, dos domos informacionais na Internet. A crítica foi relativa ao fato de muito da noção de web que as pessoas tinham sobre Internet concentrava-se na produção de serviços e conteúdos de grandes portais. Zaz (depois Terra) e UOL, agora unidos a GLOBO.COM, conservam grandes catálogos de informações. No entanto, a produção de conteúdo de um portal segue uma linha de trabalho diferente daquela que acontece em comunidades informacionais e outros serviços ao longo da world wide web.

Por agora não pretendo questionar a existência desses portais, por alguns motivos. Entre estes motivos, o mais explícito é que estes grandes portais, de uma maneira ou de outra, são nós do mainstream que já se entrelaçaram e solidificaram na rede, inclusive trazendo tanto benefícios (reuniram grandes conteúdos, têm um serviço de CTRL+C e CTRL+V muito eficiente para quem quer informações rápidas e seguras) quanto malefícios (monopolizaram serviços e acesso a blocos de seus conteúdos, solidificaram seus territórios na rede, não utilizam uma árvore de links que guie o leitor para outros olhares, mantendo-o sempre em seus domínios). Mas essa prática dos portais nasceu com os primeiros usos da Internet, que, obviamente, muito se assemelharam ao de seus pioneiros em termos de gestão de informação: os grandes grupos de mídia que viram na rede uma vitrine de suas produções. Confesso que há aprofundamentos interessantes nesta discussão,  mas limitemo-nos à ao tema inicial.

Essa prática parece estar minguando. O nascimento e crescimento de sites como Limão, SlashDot, OhMyNews, Overmundo, Orkut, MySpace entre muitos outros, só potencializou o papel do “simples usuário” torando-o “agente ativo na estruturação do próprio movimento da rede”. A participação da audiência começa a experimentar passos mais rápidos no desenvolvimento de ferramentas interacionais. Mas, por mais interessante que nos pareçam estas tendências tecnológicas, mais assustador é um pensamento: a polarização da informação.

Este processo, inclusive, fortaleceu-se com as incursões da globalização no modus operandi das práticas, demandas e ofertas informacionais ao redor do planeta. Mais jornais compram mais informações das mesmas agências de notícias, de forma que o cenário internacional cada vez é mais e mais moldado de acordo com os ditames de corporações tecnocratas. Este mesmo cenário pode ser visto no que acontece com a manifestação da informação na web. Por exemplo os blogs, que têm sido a plataforma mais interessante para disponibilizar conteúdo, acabam se aproximando de uma função de Observatório de Imprensa, que é muito válida, mas não a única coisa a se fazer. Apesar de se perceber um amadurecimento rápido na blogosfera, a fatia daqueles que sistematizaram sua capacidade de produção genuína ainda é incômoda. Para ilustrar esse rabisco de reflexão pensemos em algumas questões que já perambulam por alguns lugares (de bares, de fóruns, de listas de discussão, de IMs, twitters, orkuts, blogs, centros de pesquisa, etc.):

  1. Grande parte dos blogs pessoais desaparecem antes de completar um ano.
  2. Outra parte considerável de blogs aprenderam a se alimentar do mainstream para lançar seus desdobramentos.
  3. Há uma banalização instituída da Internet como espaço voltado para a diversão. Muitas pessoas acreditam que a www limita-se à e-mail e orkut. Muitas só precisam disso, como elas próprias dizem. Mas outras tantas poderiam se interessar por outras coisas.
  4. Há pouca abertura para conteúdos externos. Parecemos todos estar magnetizados às raízes de nossos nós de conexão.
  5. Pouco se desenvolve na funcionamento interaciona da mídia Internet. Existem muitos recortes sobre funcionalidades de facetas distintas da web, de suas ferramentas e processos gerados por ela, mas pouco se fala das engrenagens que movimentam esta máquina viva.

Parece-me então que o processo de polarização dos dados é relativo à própria expansão da teia. Quanto mais a participação de cada nó se equipara à participação de outros nós, mais há um processo magnetizador do tráfego ao redor deles. Acredito, não sei se sobriamente, que a superação dessa percepção é um avanço em direção ao futuro das tecnologias de comunicação.

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