Abril 1, 2008
Um Monstro: O Império da Velocidade
Posted by Pedro Penido under Artigos, Esquadrinhando, Interatividade, Internet, Jornalismo Online, Observatório, Sugestões de Leitura, Web 2.01 Comment
Breve Contexto
Desde que passou dos centros de pesquisas militares para as mãos da iniciativa privada, a Internet não parou de crescer. E cresceu para todos lados possíveis. Desde a publicação de conteúdo aberto até a convergência de mídias, a Internet tornou-se palco da contemporaneidade, potencializando a velocidade das relações e a troca de informações globalmente.
Descentralizada, a rede espalhou-se por todos os cantos do mundo e milhões de pessoas estão plugadas diariamente. E somente agora começamos a compreender que a rede mundial de computadores não veio se apresentar como uma ferramenta instituidora de uma fase ou de um momento tecnológico. No mundo globalizado e cada vez mais frenético, a rede expandiu seus horizontes para além da simples disponibilização de conteúdos e avançou na direção de níveis de interação imaginados antes apenas na ficção. E alguns especialistas dizem: “Isso é apenas o começo”. E parece ser mesmo.
Caminhamos nos últimos meses para a presença cada vez mais comum da palavra “web 2.0.” e “comunicação 2.0.”. O que antes era tido como “papo de geeks” passa a dominar as esferas offline. A publicidade (observando-se iniciativas como Nescau 2.0.) e o próprio jornalismo (proliferação da blogosfera), como caminhos da Comunicação Social, estão cada vez mais imersos nas potencialidades e especificidades da Internet.
Percebe-se que é impossível conter o avanço dos processos comunicacionais possibilitados pelas especificidades da Internet, e, pensar 2.0. tornou-se algo mais importante que apenas se estruturar sob os preceitos de teorias tradicionais, como newsmaking e agenda setting.
Um Monstro: o Império da Velocidade
Meses atrás eu iniciei a escrita de uma série de contos que, inspirados nos cenários de William Gibson, apontavam para um mundo distópico, dominado pela freneticidade das telecomunicações. Os cenários haviam mudado. A política e a economia tornariam-se cada vez mais dependentes dos conglomerados de telecomunicações que estavam no comando dos maiores servidores do planeta. Infinito número de informações estaria em tráfego nesses servidores e a humanidade tornou-se dependente de tudo que estivesse na rede.
Como este tipo de situação demandaria alto investimento de grupos privados, obviamente todo o tráfego global de informações passaria pelas mãos daqueles que estivessem no comando destas corporações. Incrível imaginar que RPGs como Shadowrun e Cyberpunk já haviam pronunciado a dominação tecnológica como o próximo grande império.
Alucinados pela velocidade absurda atingida em um futuro próximo, os cidadãos perceberiam-se cada vez mais mecanizados pela máquina do mainstream que agora estaria presente não apenas na mídia tradicional, mas em todos os espaços impetrados pela internet. O mundo dominado por um Império da Velocidade, onde cada vez mais as coisas tornam-se mais rápidas; onde cada vez mais pensa-se menos e faz-se mais, mesmo não se entendendo o motivo.
Se a mecanização do pensamento fomentada pelo Capitalismo é tida como um monstro devorador de humanidades, imaginemos então com que potência seria este novo golpe. O mundo plugado, os mercados correndo pela rede, torres de tráfego aéreo, bolsas de valores, controles militares, centros de pesquisa, universidades, hospitais, sistemas de segurança pública, sistemas de saneamento, sistemas elétricos e de tráfego e por aí vai. Todos plugados.
Quando se fala em Hipermodernismo, como passo “à frente” do pós-modernismo, parece-nos ingênuo crer que tamanha fragmentação da essência humana possa nos tornar mais complexos e evoluídos em nossa relação com a realidade e a irrealidade. A fragmentação que é elevada à enésima potência no mundo virtual beira o absurdo e torna-nos cada vez menos aptos a compreender as variáveis da (r)evolução humana ao longo da História. Quantos de nós trabalham para viver e vivem para trabalhar? Quantos de nós se satisfazem na labuta rotineira? Quantos de nós têm tempo para pensar em como deixar rastros mais elegantes e saudáveis para nossas proles?
Ondas Tecnológicas
Fica-me cada vez mais claro como funcionam os movimentos da Internet. Apesar de sua arquitetura descentralizada, a rede parece-me uma teia que sofre mutações a todo instante. Mutações sob a forma de ondas que percorrem toda a rede, ou, pelo menos, grandes porções de suas vastidões, arrastando consigo todos os nós que possam acompanhá-la. Essas ondas podem se estabelecer como avanços tanto tecnológicos quanto sócio-comportamentais. Vejamos alguns exemplos dessas “fases” que vieram e passaram, como ondas no mar de informações:
- BBS e os primeiros servidores públicos
- Primeiros serviços de hospedagem
- Canais de bate-papo (chats)
- Convergência de mídias: áudio, vídeo e imagens (scanners)
- Palace (chat gráfico) e IRC
- Sites usando gifs animados
- ICQ
- MSN
- Convergência: transmissão em banda-larga (NetMeeting e congêneres)
- Incorporação de serviços (webcams e áudio acoplados ao MSN, por exemplo).
- Jogos multiplayer online (Quake)
- Jogos massive (Ultima Online)
- Evolução gráfica aprimorada por serviços de bandalarga cada vez mais barato (Flash)
- Serviços gratuitos de inserção de conteúdos (blogs e fotologs)
- Sites de relacionamento (Orkut, Myspace, Via6)
- Mundos virtuais (Second Life e World of Warcraft)
- Interação aprimorada (Surface)
- Potencialização da comunicação interativa na rede mundial (blogsfera aliada a serviços de widgets)
- Varreduras mais precisas do conteúdo online (Google Services)
- Web 2.0.: Jornalismo participativo (retroalimentado pela própria audiência)
- Cartografia da Informação (estabelecimento de mapas informacionais)
Este é apenas um rascunho do processo evolutivo da rede, mas nos mostra como a complexidade dos serviços soma-se à velocidade de seus atributos. E pensar que isso tudo aconteceu em questão de poucos anos, se comparado à inserção do rádio (e depois a tv) na sociedade moderna.
(continua)










