Internet no Brasil: Colônias e Domos

Artigo postado originalmente no NewsVine, em 30 de Janeiro de 2006

Eu bem me lembro dos meus primeiros contatos com algo semelhante à Internet… As antigas BBS. Aqui, próximo da minha cidade, existia uma em Divinópolis, e, para brincar de conversar com outras pessoas através do computador eu engordava a conta telefônica devido às chamadas interurbanas.

A Internet cresceu desde aqueles tempos… Cresceu demais. Hoje praticamente qualquer tipo de serviço oferecido na televeisão têm um site ou contato via email.

Assim como no mundo real, o mercado de imóveis da internet começou a crescer depois de um tempo de colonização e expansão. Após a tecnologia alcançar a população e os provedores de acesso começarem a oferecer planos atraentes, milhares de novos usuários foram ganhando seus espaços, suas contas de email, seus registros em sites, em listas de discussão. Destes pontos, que exigiam pouca experiência com a nova tecnologia, alguns usuários partiram para o interior da net, como bandeirantes, e ali começaram a fundar novas colônias, libertas das configurações já padronizadas por alguns sites de provedores visionários e conquistadores, como foram Zaz e Uol.

Mais acesso… Mais banda, mais conexção, mais kbs de acesso, mais serviços e mais recursos. Som e imagem já eram transmitidos quase que sem interferência pela rede. Rádios e canais cresceram. Grandes nomes de vários campos da comunicação passaram a ver na Web um local ideal para ganharem mais espaço e liberdade editorial. As salas de bate-papo, sempre lotadas de usuários das mais variadas idades e experiências, começaram a se transformar em laboratórios de comunicação,  desenvolvendo códigos e tradições entre os usuários, além de permitirem a criação e constante atualização de uma linguagem muito própria do meio virtual, onde a velocidade ultrapassa, literalmente, a qualidade.

Em meu artigo eu poderia agilizar minha teoria se utilizasse exclusivamente do Internetês (em sua versão brasileira). Mas ciente d q mtas das minhas frases sairíam prejudicadas e o contxt necessario p q os leitores possam ntndr oq kero seria vitima d sua propria essencia, eu preferi n usar d qlqr termo do vulgo “internetês”.

É muito fácil navegar na internet e não conhecer nem uma fração de seu espaço. Muitas pessoas, principalmente no Brasil, ainda estão dentro de um domo criado pelos provedores de acesso, que aglomeram serviços e publicações, sites de jogos e e-commerce. De maneira geral percebe-se que a tarja da Uol está sobre o cabeçalho de dezenas e dezenas de sites, e cada vez cresce mais. Esta é uma tendência que reproduz os acontecimentos do período pré-IG.

Refiro-me a período pré-IG todo aquele tempo em que a Internet já estava na “mesa” dos brasileiros, no entanto, o provedor pago aidna era uma central de acesso, criando verdadeiras internet paralelas, de maneira que alguns grupos de usuários jamais saíam das paredes do provedor. Oferecendo conteúdo vasto e completo, o Uol, por exemplo, conseguir criar um domo sobre seu acesso. Muitos e muitos de seus usuários encontram o que querem dentro das fronteira do Uol, mas, jamais encontrarão a verdadeira magia da Internet, quando a palavra informação mescla-se à palavra sem limites e à liberdade de expressão.

Até a chegada do IG, por exemplo, querendo ou não, o usuário estava dentro de um feudo, governado pelo seu provedor, porém, sem que tal provedor ou o próprio usuário percebessem. Quando a IG lançou a moda dos provedores gratuitos, o usuário começou a perceber que não é necessário ficar somente nos limites do provedor para navegar. Mais usuários entenderam que poderiam encontrar as pessoas de acordo com suas vontades. Outro “boom” no sistema de construção de sites brasileiros.

Ferramentas como a HPG permitem que cada um faça seu site e cresça ainda mais a internet. No entanto, a felicidade do brasileiro durou pouco, pois, em questão de meses, a Globo.com havia comprado o HPG e privado o acesso que antes era gratuito. Ótima jogada para a Globo.com, péssima jogada para o resto dos brasileiros. É bom lembrar que mesmo com o crescimento na “construção civil” da Internet, as ferramentas empregadas eram todas ainda importadas. Pouco serviço genuninamente brasileiro existia para a Internet das massas.

Grandes fusões já haviam acontecido. Zaz agora era Terra. Uol agora era dona da maior rede de provedores franqueados, chegando a cidades como a minha, de pouco mais de 80 mil habitantes.

O Blog virou moda. Um recurso que poucos usavam agora havia caído nas graças das “massas da web”. Todos possuíam um blog, e poucos tinham algo que realmente valesse ler. No entanto, a liberdade de informação ganhou mais uma guerra e flagras e denúncias diversas despontaram em blogs ao redor do mundo. A cobertura de eventos era feita quase em tempo real. O recente tsunami que assolou o Oceano Índico foi pauta de centenas de blogs cujos donos estavam naquelas áreas afetadas.

Para variar, depois de uma boa notícia, vêm sempre as péssimas notícias. Os blogs começaram a perder espaço para os Fotologs, uma ferramenta que potencializou o voyeurismo na Internet e ativou ainda a mais o culto à imagem, e não o culto à informação. No Brasil os fotologs se espalharam rapidamente. Nos laboratórios das faculdades e em empresas com acesso banda larga, não se fazia outra coisa que não fosse acessar centenas de milhares de fotologs e bisbilhotar um pouco a vida alheia. Neste tempo alguns blogs haviam crescido além do esperado e seus donos ganharam respeito e dinheiro. Alguns viraram verdadeiras colunas de jornais, com uma credibilidade limpa que competia com a de grandes veículos da imprensa.

Estrutura

Questão de Estrutura

structurePercebo uma certa irresponsabilidade no tratar da questão material envolvida na prática da comunicação online. Ontem mesmo ouvi uma professora dizer que não importava a linguagem, “se Php, Java, Asp, Html” para que se pudesse pensar na prática comunicacional a partir de algumas plataformas online.

Realmente tal conhecimento não é necessário para simplesmente produzir conteúdo na/para web, mas, ao meu ver, é fundamental para estudos e planejamentos que utilizem a rede mundial de computadores como plataforma de lançamento.

Por quê?

Simplesmente pelo fato de que todo o fantástico mundo virtual permitido pelas tecnologias contemporâneas é escrito a partir de estruturas sistêmicas, complexas e, como tudo mais, dependentes da satisfação de alguns pré-requisitos.

Talvez os estudos de Usabilidade hoje pequem por desconsiderar em alguns momentos que tipo de infra-estrutura serve às necessidades básicas de seu público-alvo, mas o grande problema nessa situação nem é sua aplicação às práticas mercadológicas, que são, em essência, auto-regulatórias. A grande questão que incomoda é que a Academia trate com com “alguma despreocupação” o estudo sério da evolução estrutural das engenharias que permitiram à Web atingir o padrão que tem hoje.

Creio que toda disposição de conteúdo da atualidade demande especificidades infra-estruturais que quando não supridas em suas solicitações mínimas acarretam experiências e experimentações difusas daquelas pretendidas na confecção de alguma plataforma operacional digital.

Seria como analisar fluxo logístico e tráfego contemporâneos sem levar em consideração as especificidades da malha de transportes, assim como a tecnologia dos veículos e o uso esperado para cada estrutura.

É fato que, academicamente, não todos, mas muitos professores desconsideram isso ao falar de experiências e possibilidades de experiências digitais. Mesmo que a questão estrutural não seja a mais importante ao se falar de determinada empreitada digital, ensinar a pensar qual seu papel na articulação de conteúdo na Internet é uma questão, no mínimo, de fundamentação teórica e/ou prática.

O entendimento da estrutura permite vislumbrar ajustes e identificar vulnerabilidades e os ganhos disso são interessantíssimos à toda comunidade de utilizadores da Internet.

Nas Mecânicas da Era Digital

Este é um TEXTO-SUMÁRIO (em fase de aperfeiçoamento)

O governo das ações da vida digital restringe-se à materialidade de uma infra-estrutura ainda reprodutora dos meios capitalistas vigentes, apropriadores dos meios de produção e disseminadores de embrutecimento nas massas que lhes servem de matéria-prima e engrenagem.

São muitas as nascentes de Resistência encontradas na Internet para lidar com métodos viciados do mainstream e do modus operandi de produção, influência e divulgação de informações. Mesmo que estas nascentes criem seu espaço, ainda são assombradas por um movimento assustador de observação do nada, espalhado por toda a Internet.

Assim como o capitalismo assimila o mundo material, corrompe-o e vomita uma série de idéias perpetuadoras de suas entranhas e míticas noções de valor e responsabilidade social , caminhamos cada vez mais para uma experimentação imprudente da Realidade do Conhecimento, velada sob as glórias das novas tecnologias.

Este caminhar, apressado pelo domínio dos meios de produção materiais (o Império da Globalização do século XX) e, agora, levado à frente pelo domínio dos meios de comunicação e informação (o Império da Velocidade), tem nos alienado em relação ao que acontece no mundo real, da realidade material, onde as coisas, de fato, acontecem.

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Certa vez acompanhei, assustado, as palavras de um palestrante que dizia que a Inclusão Digital, nos moldes atuais, é um engodo (para ser agressivo) e um equívoco (para ser permissivo). De fato, hoje estas palavras fazem mais sentido, pois, por mais que as ferramentas digitais nos ofereçam novos mares a navegar, tais mares ainda são criados dentro de lógicas excludentes e incoerentes em relação às necessidades de acesso à informação e fomento da discussão crítica, pautada em parâmetros mais humanistas, menos tecnicistas.

Este mesmo palestrante dizia que o alcance das massas às tecnologias é inversamente proporcional ao desenvolvimento delas. E ele tem razão. Quando hoje lidamos com tecnologias X, outros, talvez nossos vizinhos, já lidam com tecnologias 3X.

O que isso quer dizer?

Mais gente hoje tem acesso à informática instrumental. Sim, pois há uma necessidade de mercado de trabalhadores que saibam operar computadores. Estes mesmos trabalhadores, nós, profetas da comunicação digital, ignoramos quando nos preocupamos tanto em investigar o futuro e esquecemos de analisar, e criticar, o presente.

Convenhamos!

Não há movimento mais vergonhoso que aqueles que dizem que é hora de abandonar uma ferramenta, como o dizem do Orkut, pois ele está por demasiado “popular”. Assim todos migram para outras ferramentas até que estas sofram o mesmo processo.

A única diferença disso para movimentos migratórios que acontecem na Europa, Japão  e nos Estados Unidos é que na Internet pode-se criar novas vastidões para se habitar, enquanto fora da vida digital, tem-se que encarar a realidade. Talvez este seja, inclusive, um dos motivos que levam tantas pessoas a se vangloriarem de ser na Internet o que nunca pensaram em ser na vida real.

Eu sou confesso admirador e desbravador dos meios de comunicação digital. Por uma série de fatores, e tais não excluem severas escolhas equivocadas, que, por agora, venho tentando corrigir. Mas também não me impedem, estes fatores, de dizer que há algo terrivelmente atormentador com o modo pelo qual o mundo online vem sendo dominado e tiranizado por corporações centralizadoras, e pior, por um pensamento centralizador, tecnocrata.

Talvez a guerra entre mainstream e os veículos online seja uma das pontas do Iceberg. O que vemos nessa guerra é o medo de perder o monopólio da informação. Mas, perdê-lo para quem? Para quantos?

O modus operandi ainda é o mesmo. Alienados offline serão alienados online. E onde está o problema disso tudo? Nas pessoas? Alguém realmente acredita que o homem é o lobo do homem? Eu não!

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Não consigo visualizar a solução disso, mas tento jogar luz nas questões envolvidas na mecânica de todo processo digital e como isso altera nossas vidas reais, materiais. Mesmo que muitos queiram não acreditar, as estruturas externas da vida contemporânea, atuam, sim, na viabilização da praça digital, onde, alucinados, acreditamos que as mudanças vão acontecer.

Artigo: Feudalismo Virtual

Demarcação Estrutural e Demarcação Conceitual

Mesmo com os exorbitantes números de páginas existentes na Internet atualmente, é fato que grande parte do acesso acaba por se concentrar em grandes sites ou grupamentos de sites, geralmente estabelecidos a partir de identidade, alcance global e inovação.

Como destaques de sites que se transformaram em verdadeiros domos informacionais, podemos apontar aqueles que no passado eram agregadores naturais de internautas: os sites de antigos provedores de acesso que ainda mantém grande parte dos utilizadores da rede no país. Com a visitação condicionada, naturalmente aos seus domínios, estes sites passam de mera referência inicial para agregadores de conteúdo para todos os públicos.

Em torno destes sites, milhões e milhões de usuários estabelecem seu contato com o mundo virtual.

Os domos caracterizados por alcance global são domínios que ultrapassam as fronteiras culturais e se estabelecem a partir da fidelização de públicos amplos, geralmente atraídos por serviços vinculados a entretenimento e comunicação, como os gigantes que reúnem ambas características, como YouTube e MySpace, por exemplo.

Sites inovadores podem sofrer do efeito hype ou não. Alguns, inclusive, são apontados como futuros hypes, mas emplacam e garantem seu espaço. Impossível não citar o Twitter, cujo fenômeno tem dominado a mídia global. Apesar de muita gente indicar que o grande fluxo de novos usuários neste serviço o configura como rede em expansão, muitos outros, ainda céticos, apostam que não passará de mais um hype.

A Estrutura

A organização destes sites como Domos pode ser percebida em dois aspectos distintos e não necessariamente simultâneos.

  1. Estrutural
  2. Conceitual

Para explicar melhor tais pontos, entendamos que a Cartografia da Informação, conceito desenvolvido pelo prof. Jorge Rocha, oferece-nos o melhor ângulo para uma aproximação, ao passo que a Teoria da Complexidade, de Edgar Morin, oferece-nos a melhor idéia de cenário.

Assim estabelecido, entendamos que, para a Cartografia da Informação, faz parte do modus operandi informacional hipermidiático o elemento de ruptura estrutural, ou seja, ante o infinito fractal de informações oferecido pela Internet, estabelecer as melhores articulações narrativas é uma tarefa que demanda a ruptura da narrativa herdada dos demais veículos.

Um número crescente de fontes e frentes de informação oferece um arcabouço cada vez mais complexo para a articulação da informação. Ignorar estas informações e priorizar aquelas que compartilham de um mesmo domínio, pólo informacional, é uma das ações mais características do domo informacional estrutural.

O Conceito

Para além da questão estrutural, ainda há a territorialidade conceitual, estabelecida a partir de um processo mais amplo de demarcação, que contempla não tão somente as especificidades informativas de um ou mais sites, mas avança na capacidade perceptiva da audiência em relação à noção de espaço permitida na Internet.

Assim, é importante lembrar que uma vez que determinados procedimentos e protocolos são estabelecidos consensualmente, voluntariamente ou involuntariamente, há uma generalização de sua proposta, que se espalha quase que viroticamente por todas as comunidades espalhadas mundo afora.

Esta demarcação territorial conceitual é a grande responsável pela percepção contemporânea de que as muralhas do grid de serviços do Google dão conta de toda a expansão explosiva da rede. A partir deste ponto de vista, joga-se alguma luz sobre a sensação de que toda operação realizada no mundo virtual passa, de alguma maneira, pelos domínios Google, assim como no passado passou pelo Yahoo!, Cadê?, UOL, Terra e tantos outros.

Domos Informacionais

A partir da assimilação destes conceitos, caminhemos para uma análise mais ampla da própria idéia de Domo Informacional.

Como domínio organizado, o site que se estabelece como domo, é agregador de conteúdo em subdomínios, que, por sua vez, organiza estruturalmente centenas (e até milhares) de páginas. Ao redor destas páginas e seus subdomínios estabelecem-se comunidades informacionais que podem ser organizadas (fórum, comunidades de redes sociais, etc.) ou não (sistemas de comentários que não criam ambientes participativos permanentes).

Levando em consideração as políticas extremamente rigorosas de tais domos em relação à abertura exigida pela Cartografia, percebemos então que o motivo que os mantém em constante movimento ainda é sua presença ativa na percepção da audiência bruta, por presença global, inovação ou identidade territorial. E o que os mantêm como centralizadores de narrativas, de articulação do conhecimento e inibidores do próprio caráter libertário da web é sua capacidade de consagrar-se como território pétreo, resquício de um momento fetal da Internet, altamente assimilador e reprodutor das práticas massivas do mainstream.

No entanto, é importante que a Web 2.0 seja encarada não apenas como conjunto de variáveis e protocolos pré-estabelecidos, mas sim como perspectiva criativa e desafiadora dos padrões centralizadores da mídia que ainda se adapta às particularidades da Internet, e convulsa ante seus obstáculos.

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Jornalismo: Diploma desnecessário? Sério?

A Dimensão do Impacto

deepDe acordo com texto publicado no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Minas Gerais, Sérgio Murilo Andrade, presidente da FENAJ, disse que, sobre a decisão do STF, ainda não há idéia sobre a dimensão do impacto.

Mas podemos ter idéia da dimensão do impacto, com certeza.

Uma onda de interessados em ganhar status e fama por assinarem seus nomes em veículos de comunicação assolará o cenário profissional do Jornalismo. Haverá excesso de oferta, queda generalizada no valor dos salários, nas condições de trabalho, na qualidade do trabalho e, óbvio, na seriedade da informação.

Para provar isso basta observarmos uma série de ‘revistas’ que circulam no Interior. São páginas e mais páginas escritas por um conjunto de colaboradores que só falam de moda, veículos, festa, coluna social, nutrição, televisão (novelas) e, geralmente, a matéria especial fala de coisas piores, como a nova performance de um determinado grupo musical.

Nada contra esse tipo de trabalho, mas convenhamos que isso passa longe do tipo de trabalho que um jornalista deve exercer. Qualquer que seja o assunto tratado por ele, criticidade histórica é um ponto primordial.

É claro que nem todos os jornalistas são guiados por ideais nobres e ligam para a importância de seu trabalho, e muitos que o fazem ainda são censurados em seu ambiente de trabalho por interesses externos/empresariais que colocam na balança seu dever e sua sobrevivência profissional.

Esse cenário será agora potencializado por a onda de contratações que podem abalar as estruturas profissionais daqueles que pretendam fazer jornalismo sério e transformar o que já era complicado em um caos absoluto.

Está mais que provado que as empresas de comunicação querem é o que gasta menos e abrem mão, sim, da qualidade em detrimento do menor salário. Vejamos o que acontece de hoje em diante. E vejamos o quão sensatos nossos ministros do STF realmente são.

Muita gente fala que a qualidade do jornalista não é dada pelo curso, mas, o curso ainda era um filtro. Agora, sinceramente, não tenho certeza da segurança dos parâmetros de qualidade, ante as ondas avassaladoras de ‘novos parâmetros’ que estão por vir.

Liberdade de Expressão ou Libertinagem de Expressão?

Comentários: Blog da Petrobrás

Sobre o Blog da Petrobrás

Posto abaixo ambos os comentários que postei no blog da Petrobrás e no blog do Träsel, sobre o caso ‘BLOG PETROBRÁS x MAINSTREAMING’

Os links levam aos posts que geraram tais comentários.

Vale lembrar que adaptei o texto para evitar confusões entre a ‘ambientação da opinião’.

[COMENTÁRIO NO BLOG DA PETROBRÁS]

Parabéns à Petrobrás pelo espaço.
A clareza das informações e o palco organizado em seu blog para o debate, a eficiência no intermediar das opiniões e prontidão para avançar no desenrolar dos fatos fazem da equipe por trás do blog uma equipe realmente ciente das potencialidades práticas, jornalísticas e emancipadoras que se pode alcançar com projetos sérios na Internet.

O blog é simples e preciso, dinâmico e organizado. Conteúdo articulado, com definições claras sobre comentários e política do site.

Quanto às informações aqui apontadas pela Petrobrás, lembremos que somos todos fiscais e, em caso de dúvida, basta-nos articular as ações necessárias para verificar e/ou exigir a verificação e autenticação destas informações pelos meios cabíveis, inclusive necessariamente cedidos pelo Estado.

Ciente do teor do próprio material inserido em seu blog, a Petrobrás entra no tudo ou nada, provando a autenticidade de seus fatos e dados ou correndo o risco de falhar catastoficamente ante um público formador de opinião, principalmente sobre as miras telescópicas da mídia que observa cada um de seus passos em busca de um ponto fraco, ou de uma brecha que possa detonar uma fraude ou coisa do tipo, caso haja má-intenção nesta ação pública de empresa.

Vejamos quem está com a razão. De uma maneira ou de outra, um dos dois, Petrobrás ou a Mídia que a ataca, cederá. E quem o fizer estará em maus lençóis.

Fiquemos de olho!

[COMENTÁRIO NO BLOG DO TRÄSEL]

A Petrobrás tem todo o direito de responder publicamente, ipsis literis, toda e qualquer pergunta a ela direcionada, principalmente tratando-se da Imprensa Formal, cujo objetivo, em tese, é transparecer à população tais respostas, alinhando-as com Críticas sérias e profundas. Assim se faz a democracia, em teoria. Em teoria.

Sou jornalista e não acho nada errado, nem imoral, nem sacanagem, manter este espaço. Cabe à mídia sair do marasmo de colher dados brutos e torcê-los. Cabe à mídia fazer análises críticas destas respostas divulgadas e, dentro do (possível) espirito investigativo, levar adiante pontos não contemplados nas respostas, inquirindo-os e cobrando mais informações, mesmo que a Petrobrás venha a responder em seu blog ou qualquer outro canal virtual/digital.

Isso é transparência. Jogo aberto. Cara a cara.
Se a Petrobrás tem o blog para responder, façamos as perguntas certas. Se ela tem algo a esconder, quando sofrer um xeque-mate, será enforcada com a própria corda. Caso contrário, à Mídia resta manter a cobrança, a prudência, a criticidade e o compromisso com o povo.

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Acompanhemos o desenrolar destes ‘FATOS E DADOS’ e o impacto disso na mídia. Muitas máscaras estão por cair, de ambos os lados. Mas, lembremos que, independente de onde vêm às informações, cabe a nós analisá-las CRITICAMENTE e não como mera informação enciclopédica.

Hamas x IDF: A Guerra que chegou à Internet

Breve Contexto

  • 3.000 a.C.: Construção das Pirâmides de Giza
  • 1.500 a.C.: Apogeu da civilização egípcia
  • 700 a.C.: Fundação de Roma
  • 200 a.C.: Biblioteca de Alexandria
  • 001 a.C.: Guerra Civil em Roma. Júlio César.
  • Séc I: O Cristo
  • Séc. V: Cai o Império Romano
  • Séc. IX: Primeiro livro impresso (China)
  • Séc. XV: Bíblia de Gutenberg (Imprensa)
  • Séc. XX: Mídia de Massa e a Internet
  • Séc. XXI: Guerras Online (Hamas X IDF)

- GUERRAS ONLINE -

No passado tínhamos notícias das guerras por meio de jornais e relatos que demoravam muito tempo para chegar até nós. Com a chegada do rádio, a informação tornou-se mais precisa, mais localizada no tempo e no espaço. A televisão deu cores e movimento ao que os relatos faziam assombrar nossas mentes. E a Internet deu cores, movimento, sons, instantaneidade e voz aos elementos envolvidos num cenário de guerra.

Começou com o Cotidiano

Ferramentas como o YouTube e seus congêneres deram a todos nós uma nova visão sobre o mundo, sobre a vida, sobre o espaço, sobre muitas coisas. De uma maneira ou de outra, ver pessoas fazendo loucuras, rindo, sendo espontâneas ou não, se emocionando e tudo mais com a potência que o YouTube nos atingiu é uma das coisas mais alucinantes do final do século XX.

Nunca antes havia nos sido concedida oportunidade igual. Nunca antes imaginaríamos que ver a nós mesmos, em todos os lugares do planeta, seria um dos exercícios mais interessantes dos idos de 2005 em diante. As ferramentas de comunicação voltaram-se para nós e nos deram a chance de povoar seus canais com nossos discursos, fossem eles qualificados ou não, fossem eles comprometidos com algo ou não. Foi nos dada a chance de continuarmos sendo o resultado de toda essa História, mas, desta vez, observando nossos passos, nossos dias, nossas peculiaridades, sob o prisma dos meios de comunicação mediados por computadores.

E o que fizemos? Invadimos esse espaço! Dominamos completamente. E ele se transformou num novo espaço da vida do século XXI. Um espaço tão importante que guerras agora não são apenas transmitidas e discutidas neste espaço. No século XXI este espaço também é o campo de batalha.

Hamas X IDF

Antes de qualquer palavra, vamos às marcações da situação. Elas podem nos dar idéia da trilha que percorrerão as palavras vindouras.

HAMAS

  • Acrônimo de Ḥarakat al-Muqāwamat al-Islāmiyyah cujo significado é Movimento de Resistência Islâmica.
  • Grupo paramilitar e político criado em 1987, na cidade de Gaza. Atualmente possui a maioria das cadeiras no Conselho Legislativo da Autoridade Nacional Palestina.
  • Fazendo usos de ataques violentos que visam tanto alvos civis quanto militares em Israel, o Hamas é considerado Terrorista pelo Conselho da União Européia, Estados Unidos, Japão e outros países.
  • Conta com mais de 30 mil homens armados e uma vasta infra-estrutura de guerrilha no território palestino.
  • Através de uma rede de serviços sociais e de caridade, estabeleceu-se fortemente numa área habitada por mais de 2 milhões de palestinos.
ONLINE:
  • Imagens registradas por equiples locais e civis mostram vítimas dos ataques de Israel. Os vídeos e fotos são disponibilizados em sites islâmicos, chamando a atenção do mundo para o sofrimento de inocentes envolvidos, atraindo pessoas para a causa.
  • Mensagens convocando para a “Destruição de Israel” ocupam incontáveis sites da região e da comunidade islâmica mundo afora.
  • Hackers que apóiam o Hamas derrubam/destroem mais de 300 sites israelense no primeiro final de semana do conflito.
  • Mantém softwares próprios, offline e online, dedicados a questões do povo palestino, apontando para o “inimigo Israel”.
  • Tem redes sociais próprias, assim como ferramentas destinadas à facilitação de operações terroristas em todo o mundo.

IDF

  • Acrônimo de Tzvá HaHaganá LeYisra’el cujo significado é Exército de Defesa para Israel, ou Tzahal.
  • São as Forças Armadas do Estado de Israel, criadas nos anos de 1948 e 1949.
  • Está entre as mais temidas forças nacionais do mundo.
  • Contam com uma das melhores tecnologias de guerra da atualidade.
  • Possuem forte aparato militar em terra, mar e ar.
ONLINE:
  • Criaram um canal no YouTube para mostrar a precisão de seus ataques e a destruição conseguida.
  • Desde o início do conflito recente, dizem ter “neutralizado” mais de 300 milicianos do Hamas.
  • Avançam a cada dia em direção a pontos estratégicos do Hamas na Faixa de Gaza, com o objetivo de aniquilar seus postos avançados, os quais acusam de serem os responáveis por mísseis que atingem Israel há quase um mês.
  • Possuem comunidades em muitas redes sociais, arrebanhando defensores de sua causa em todas as mídias/ambientes online possíveis.
  • Em 4 dias, mais de 20 mil pessoas se cadastraram em uma comunidade no Facebook que apóia o ataque da IDF à Gaza.

O quê está em jogo?

Desde tempos, literalmente, imemoriais, a situação da região compreendida a leste do mediterrâneo e oeste da Índia é, no mínimo, calamitosa. Embates envolvendo grandes civlizações, culturas e crenças do passado aconteceram ali. Se aquelas terras pudessem vomitar seus mortos, um mar de cadáveres inundaria as costas dos países ao longo do mediterrâneo e ao longo da costa norte da África e sul da Turquia.

A macro-região de Jerusalém é assolada por disputas desde Nabucodonosor, passando pelas Cruzadas e seus tempos turbulentos, chegando à Contemporaneidade. Realmente todos nós sabemos que a solução para questão “Palestina x Israel” não virá em um processo a curto prazo. Todos sabemos que a guerra naquelas regiões sempre foi feita à base de ferro e fogo mas, assim como no passado, expandiu seus limites para outros campos. Antes o da fé e agora do da informação.

Tanto IDF quanto Hamas estão encarceirados em séculos de desavenças e têm histórias para contar e nos ludibriar por uma quantidade de tempo quase equivalente a essa. Caminharem para ambientes onde a “produção do discurso” é fomentada, é o primeiro passo para iniciarem um outro processo, que vai muito além da disseminação de suas ideologias localmente. Quando inaugura seu próprio canal no YouTube, a IDF quer mostrar ao mundo o que tem a dizer, e não apenas aos israelenses e judeus.

É vital que, para que essas linhas completem algum sentido, uma observação contínua seja levada adiante, de maneira a tentar estruturar um cenário global da participação de ambos os discursos na Web 2.0. e como esta participação tem surtido efeito nas audiências tanto envolvidas diretamente quanto indiretamente.

Portanto convido-os todos a, sempre que possível, compartilharem informações sobre movimentações tanto do Hamas quanto da IDF nos vastos domínios da rede mundial de computadores. Analisemos como a Internet atua em questões tão materiais e seculares quanto as guerras modernas.

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Referência:
- Wikipedia: verbetes “HAMAS” e “IDF
- TimesOnline:  GAZA: Secondary war being fought on Internet

Ning: Gestão de Redes Sociais

ARTIGO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO WWW.IMASTERS.COM.BR

Ouvi falar de NING há um certo tempo, em blogs de tendências, de web 2.0. e acompanhando alguns geeks em fóruns e outros espaços de discussão. Não fazia a menor idéia do que era, mas sabia que era algo, de certa maneira, revolucionário do ponto de vista da estruturação de plataformas de duas vias na web.

Até então, o contato mais estável que tive com este tipo de recurso foi com serviços de fórum, do tipo crie você mesmo. A maior parte deles advinha de modificações no freecode phpbb (PHP Bulletin Board). Esse serviço era (e ainda é) altamente customizável, com saída para muitas outras possibilidades que envolvem tudo que se pode imaginar no gerenciamento de um fórum. Uma excelente ferramenta para que cada um faça seu próprio ambiente virtual, voltado para o estabelecimento de uma comunidade. Palmas para estes serviços.

Mas, recentemente, um amigo comentou sobre o NING e me apresentou uma rede social (isso mesmo, toda uma rede social) que havia criado por meio dos recursos da plataforma. Achei extremamente interessante, funcional e bem organizado/estruturado. No mesmo instante, impulsionado por minha sede de desbravar novas possibilidades, fiz meu cadastro no NING e comecei a criar minha própria Rede Social.

Através de uma interface altamente amigável, integrada a muitos outros serviços, você brinca de criar seu “ORKUT” personalizado. No entanto, eu particularmente percebo este tipo de oportunidade como muito mais que apenas “brincar de criar”. O Ning não é um mero gerador de variações de templates, como aparenta ser.

Ao meu ver o Ning se apresenta como uma excelente solução para que comunidades possam ser erguidas com mais segurança e menos confusão, ou seja, imagine uma determinada comunidade do Orkut, com a potência do próprio Orkut. E mais… Imagine-a agora com uma variação da potência do MySpace, no entanto, sem aquela confusão visual que os recortes do MySpace permitem/instigam. Este é o Ning, uma arquitetura de redes sociais oferecida gratuitamente na web.

Ao longo do tempo eu acompanhei fóruns começarem do nada e se transformarem em sólidas comunidades virtuais. O mesmo aconteceu com diversas possibilidades de interação mediadas por computador, como “clãs” de jogos multiplayer, listas de discussão, comunidades do Orkut e outros tipos de aglomerações sociais que se estabeleceram com maior facilidade.

Todas estas comunidades, independente das suas plataformas operacionais, deram certo porque contaram com a participação ativa de seus membros, que a perceberam como um ambiente virtual, e não apenas como mais um “site vitrine ou pueril” na rede.

O Ning não é um ambiente diferente destes todos, mas ele vai um pouco além na integração com ferramentas e recursos da web 2.0. Apesar de ainda ser pouco conhecido no Brasil, nada o impede de se tornar um grande rival do orkut no quesito “fidelização do usuário”. Quando você se cadastra no Ning, você pode apenas participar de outras redes, como usuário, ou pode criar a sua rede, como administrador, como gestor de ambientes virtuais.

Gestão de Redes Sociais

Fazendo uso de recursos variados, que vão desde fóruns e chats até enquetes e compartilhamento de artigos, integração com outros widgets e demais funcionalidades, o Ning permite ao seu administrador funcionar como um verdadeiro Gestor de Redes Sociais.

Com a possibilidade de integrar sistema como o Google Anaytics à sua rede, você pode fazer um acompanhamento do tráfego de usuários visitantes, tendo acesso a todos os recursos deste serviço do Google.

Além disso, cada um dos membros de um determinado Ning pode criar suas próprias “comunidades”, “grupos”, de acordo com níveis distintos de permissão concedidos pelo administrador/gestor.

Serviços como o Ning, sem vínculo algum com softwares, dependendo unicamente de um acesso à rede, podem se transformar em grandes plataformas para planos de marketing e comunicação direcionados a públicos específicos. Se empresas hoje em dia pensam em utilizar o Twitter (serviço de microblogging) em suas campanhas de marketing e comunicação, imagine só a potência que conseguiriam com o Ning.

Crítica aos Dez Mitos de Karl Albrecht

Em matéria da Folha lida recentemente, Karl Albrecht, especialista em coisas de empreendedorismo, futurologia dos serviços e coisas do tipo (sim, estou desdenhando sim!) foi “contemplado” com a publicação na íntegra de um dos artigos publicados por ele em seu mais recente livro (algo em torno de auto-estima de negócios).

Antes de tudo é IMPORTANTÍSSIMO que conheçamos o website deste que nos fala como se fosse o maior pensador da Era da Informação, capaz de nos dizer quais são os 10 Mitos que a humanidade celebra na e sobre a Internet. Um site com um único propósito: – vender livros de Karl Albrecht, um mito criado em torno do próprio umbigo. Confira o site deste que critica ferrenha e convictamente a rede e tire suas próprias conclusões. - SITE DA KARL ALBRECHT INTERNATIONAL -

 

Eu não conheço o trabalho de Albrecht e confesso que o tipo de reflexão que ele faz sobre a realidade fica aquém daquilo que eu estou acostumado a esperar de qualquer produção científica que tenha compromisso com o ajuste da realidade e sua consequente melhora e não tão somente observar o que acontece, de cima do muro, e ficar se alimentando das tentativas daqueles que querem mudar algo. Mas não pretendo entrar nessa discussão.

Albrecht escreveu um artigo onde ele aponta “Dez Mitos da Internet” e os critica, com ares de “Senhor Detentor da Razão”. Durante minha leitura do artigo de Albrecht eu tomei a liberdade de separar alguns de seus apontamentos e opinar também, procurando fazer uma reflexão mais coerente com a realidade e a História.

Começamos com a introdução do artigo, de onde separei o trecho abaixo:

A confluência de propagandistas da “teologia Internet”, também conhecidos como “conspiração minha-nossa!” (“Gee-Whiz”, no original), vem obtendo notável sucesso ao vender suas idéias para jornalistas, personalidades políticas e grande parte do público. Essa “teologia”, no entanto, está equivocada na essência, distorcida por filtros do pensamento tecnológico e dos valores da classe média alta. Além disso, ignora uma visão mais ampla de cultura, necessidades humanas e necessidades empresariais.

Que existe esse pensamento do “Gee-Whiz” ninguém pode negar. De fato existe muita gente por aí pregando que a “Internet” (e não os processos comunicativos mediados por computadores) é muito mais que ela realmente é. Existe, sim, uma “teologia da Internet”, mas ela não é tão predominante assim. Mais incômodo me é o fato de Albrecht fazer tão bom apontamento e terminar dizendo que as “análises lógicas” (que ele aponta como falhas) não contemplam uma “visão mais ampla de Cultura, necessidades humanas e necessidades empresariais“.

Sinceramente sou incapaz de compreender o que as necessidades empresariais têm a ver com os avanços da web. Está claro que o meio empresarial ainda é um tanto quanto “observador” do terreno. Apesar da dita “loucura pela Internet” que Albrecht aponta, é interessante perceber que são poucos os empreendimentos offline que estão “em dia” com as possibilidades e potencialidades da Internet. Isso se deve provavelmente porque no mundo material, offline, estas empresas simplesmente não viram necessidade de gastar dinheiro com o mundo virtual. Isso é um direito delas, oras, e também uma questão de “análise lógica”. Mas para o “pensador” Albrecht, parece que a percepção do cenário macro é difusa.

Também é muito estranho que Albrecht cite “valores da classe média alta e distorcidos filtros do pensamento tecnológico” como culpados pelo processo de “teologização da Internet” e, logo depois, fale de “necessidades empresariais” não vislumbradas no jeito de encarar o futuro da rede mundial de computadores. Estas necessidades empresariais servem a quem?

O avanço monstruoso da tecnologia da informação é uma afronta à capacidade de uma nação, com cenário político-econômico tempestuoso, acompanhar. Mas esta discussão é outra. Sua gênese está na produção desenfreada de hardware e periféricos e a criação de “coisas e produtos” que não fazem a menor diferença para o desenvolvimento da humanidade. Mas, para a Albrecht Internacional, talvez faça, afinal, ela se alimenta disso: disparidades geradas por um cenário tecnológico que avança mais que o mundo consegue acompanhar. Para tanto, mega-corporações contratam Albrecht para ajudar-lhes a se adequar ao que o mundo consegue assimilar.

Essa visão de Albrecht não contempla os eventos que a Internet vem permitindo acontecerem, como os sistemas colaborativos, a ampliação de redes de relacionamento e o nascimento de projetos que só se tornariam possíveis sobre a plataforma Internet. Podemos citar, por exemplo, a ANF, Agência de Notícias de Favelas, que usa a rede para algo muito além que simplesmente “vender qualidade e diferencial”, coisa de ”pensamento empreendedor” e livros de auto-ajuda empresarial.

É desnecessária para os fins desta argumentação uma análise maior sobre o que é  a ANF, sua ideologia e seus propósitos. Isto demandaria um trabalho à parte. Mas seria um trabalho independente do foco deste texto. Aqui a ANF nos serve muito bem para apontar como a rede pode ser utilizada para fins que se afastam de iniciativas meramente “empresariais”.

Albrecht não compreende a rede como ambiente, e sim como ferramenta. Daí sua percepção, tipicamente capitalista, de uso descartável da comunicação mediada por computadores.

Pensando Comunicação Online, parte 1

Desde antes de entrar na graduação em Jornalismo eu já sabia da existência do termo meios de comunicação de massa, mas, sinceramente, jamais poderia imaginar que no encalço dessa alcunha viriam tantos pesadelos. E quando me refiro a pesadelos pretendo ater-me às impressões que até então acreditava estarem apenas associadas à demonologia oriunda dos processos maquínicos e selvagens do capitalismo em sua instância máxima.

Quando comecei a estudar mais sobre os modus operandi do tráfego de conteúdo na Internet, sob a tutela do prof. Jorge Rocha (grande amigo e aliado no alastrar do Império), percebi que existiam duas plataformas, dois palcos distintos, por onde se alinhavam as inserções jornalísticas e conteudísticas na web.

A primeira delas, atualmente dominadora do jeito de se conhecer a web, é aquela que gira em torno dos portais. E sobre seu modo de funcionamento e sobre seus méritos e deméritos falaremos em outro artigo. A segunda plataforma é herdeira do espírito que permitiu o nascimento de idéias e o desenvolvimento de procedimentos que deram outras caras ao mundo internet. Aliás, sinceramente, não sei se seria correto classificá-la como plataforma, uma vez que sua principal característica é a de não se permitir uma padronização de maneira a se encontrar parâmetros que pudessem classificá-la.

Para fins de definição conceitual, tratemos o tipo de internet irradiado pelos portais como WebDomes e o tipo de internet irradiado pelas plataformas livres como WebHosts.

A escolha destas expressões parte de pressupostos simplórios e, no entanto, capazes de condensar toda a amplitude de significados imersos na questão. Ei-los:

WebDomes: São mantidos a partir de uma sólida sustentação. Geralmente são grandes sites com milhares de páginas, com estruturas rígidas e pouco flexíveis, muito interessantes pela divisão editorial de notícias e informações e vasta carga informacional. Além de gigantescos bancos de dados e parcerias com publicações, outros sites, serviços variados voltados ao usuário e uma espécie de base de operações. Apesar do gigantismo, para se alinharem às concepções mercadológicas herdadas dos modelos comunicacionais offline, acabam por reproduzir os mesmos procedimentos. Como exemplos podemos citar: UOL, TERRA, G1, FOLHA, etc.

WebHosts: A escolha do termo Host (hospedeiro) é justamente para manter a capacidade destas plataformas de permitirem a instalação de serviços gerenciadores de conteúdo ou ceder suas engrenagens para estes fins, de maneira a dar mais liberdade ao autor/usuário para criar sua própria grade de serviços. Apesar de não serem vastos em termos de conteúdo, nem serem tão amplamente divulgados como bancos de dados, estas plataformas vêm oferecendo à comunidade web uma série de ferramentas e ambientes para não tão somente a inserção e edição de conteúdo, mas também têm se alinhado mais fortemente aos avanços da web 2.0., sujeitando-se cada vez mais à mescla e ao tráfego bilateral de conteúdo. Bons exemplos são as plataformas de blogs, wikis, fóruns e plataformas de conteúdo colaborativo: WordPress, Wikispaces, Orkut, MySpace, Digg, OhMyNews, SlashDot, Via6

Apesar do meu contato diário e intenso com a Internet, e apesar de meu grande interesse em observá-la como processo complexo e orgânico que se adapta às novas tecnologias com assustadora velocidade, sei da impossibilidade de fazer minha crítica acompanhar o feroz avanço da rede mundial de computadores em todas as esferas que lhe cabem.

Com minha formação acadêmica tendo sido voltada para a Comunicação Social, resta-me (e também honra-me) o fato de ter sido privilegiado com o contato com um arcabouço teórico mais recente que me possibilitou entrelaçar meu discurso e minhas percepções à uma série de apontamentos que vêm sendo estruturados por pesquisadores de todo o mundo.

Modelo de Shannon-Weaver

Podemos começar com uma das vigas principais do pensamento da Comunicação que orquestrou uma série de raciocínios ao longo dos estudos de Comunicação.

Para tanto compreendamos que o objeto da comunicação é a capacidade de um elemento em enviar sinais (gráficos, áudiovisuais, gestuais, sonoros, etc, etc) de maneira que um outro elemento possa decodificá-los e compreender. De acordo com a eficácia do método eleito, seu aprimoramento e lapidação são inevitáveis. Esse conjunto de recursos edificadores da comunicação serão aqui apresentados como a Mensagem.

Esquema de Teoria da Informação de Shannon-Weaver
(simplificado) EMISSOR -> CANAL -> (RUÍDOS) -> RECEPTOR

Para um entendimento básico do mínimo que as especificidades da internet alteram nesse modelo, deveríamos concebê-lo da seguinte maneira:

Esquema de Teoria da Informação de Shannon-Weaver
(simplificado) EMISSOR <-> CANAL <-> (RUÍDOS) <-> RECEPTOR

Mas obviamente muito mais coisa muda nesse tipo de alteração na mecânica de um processo altamente complexo. E muda ao ponto que uma simples reformulação na teoria, como apresentado no segundo modelo, não dá conta de toda a vastidão das mudanças.

A Teoria da Complexidade, de Edgar Morin

Para termos uma mera idéia do que falo aqui tentemos imaginar um cenário, uma paisagem, recheada dos mais diversos elementos que se organizam de uma maneira X. A própria organização destes elementos nesta paisagem imaginária se dá por intermédio de alguns fatores, entre eles os que considero principais:

- Configuração do terreno
- Configuração do ambiente
- Especificidades de cada elemento, de maneira que um deles não torne a existência de outro obsoleta; ou seja, se dois elementos distintos têm as mesmas funçõe, um deles tornar-se-á obsoleto e, de acordo com sua relação com o cenário e os demais elementos, será excluído ou não.
- Eficácia na própria auto-sustentação; ou seja, quanto mais simples, coerente, de fácil acesso, fácil assimilação e eficiência, mais facilmente um elemento sobreviverá.

Para analisar a Internet, então, devemos fazer uso de algum tipo de equivalência teórica que se aproxima desta situação apresentada, uma vez que a organização destes elementos e a paisagem podem ser facilmente comparados à organização dos serviços, programas e recursos na Internet. Entre as teorias estuadas, aquela que melhor nos serviu foi a Teoria da Complexidade, de Edgar Morin. E é esta teoria que estenderemos à nossa frente para que possamos compreendê-la em um panorama macro e outro micro. A partir daí, o inevitável acontecerá: novas reformulações no pensamento, uma vez que o pensamento de Morin antecede as revoluções da web e da web 2.0.

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