MeioDigital foi escolhido para ser hostblog da segunda edição da Ciranda de Textos. Ao longo do dia atualizaremos esta lista de acordo com o recebimento de novos posts dos blogs participantes. O tema desta edição é “Mercado de Trabalho”.

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André Deak
Em seu blog, André Deak oferece uma excelente sugestão para aqueles que se sentem muito frustrados com o pouco acesso ao mercado profissional: “Mas a coisa não é totalmente ruim. Os jovens têm uma vantagem bastante, mas bastante grande nesse momento, se bem aproveitada. O domínio das novas tecnologias.” De acordo com Deak, a presença da Internet na vida das pessoas em alguns anos será muito maior que já é hoje e, portanto, aquele profissional que se adaptou às evoluções do mundo digital estará com vantagens confiáveis na conquista do emprego. Leia mais.

Ius Communicatio
Com um texto gostoso de ler, Gabriela Zago faz interessantes apontamentos sobre a absorção dos recém-formados no mercado brasileiro. Há um problema maior que a qualidade de formação? E a participação ativa do estudante na ampliação de sua formação? Gabriela apresenta uma lista de sugestões e boas idéias para o recém-formado encontrar uma caminho menos complicado até sua estabilização profissional. Vale a pena ler.

Pós-texto
“Então temos um paradoxo: estudantes de comunicação e recém-formados sem experiência são deixados de lado, enquanto pessoas de outras áreas exercem a profissão sem o diploma. E empresas e jornalistas avançam na batalha contra a necessiadade do diploma.” Bruno Calixto faz uma reflexão sobre as contradições do cenário profissional jornalístico brasileiro, analisando o procedimento das empresas na contratação de estagiários e como a falta de regulamentação da profissão está frustrando cada vez mais recém-formados, estudantes e profissionais. Boa leitura.

Herdeiro do Caos
O jornalista Yuri Almeida, através de uma análise do ciberjornalismo, leva a discussão para as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, informando que a “liberação do pólo emissor”, nos processos comunicativos da Internet, por exemplo, acabam por se transformar em novos horizontes para a prática jornalística, pois cada vez mais será necessária a participação de mediadores nos infinitos discursos que se alocam na www.

Syntese
Juan Saavedra escreve-nos sobre a importância de não se deixar levar pelos dissabores do mercado de trabalho. Argumenta sobre a necessidade de ser versátil e lidar com a inevitabilidade de situação. “Ninguém deve abandonar suas ambições profissionais em nome do pragmatismo. No entanto, romantismo não põe comida na mesa. Uma visão mais estratégica é uma saída para o labirinto do desemprego.” Leia mais.

Freelancer – O Profissional que Rala
Excesso de profissionais para uma preocupante escassez no campo de trabalho. Poucos e grandes veículos de comunicação controlando a maior parte do mercado. Regulamentação profissional confusa e pouca segurança trabalhista. A jornalista Ceila Santos argumenta que o cenário jornalístico vive um momento de transição e que as transformações trazidas pelas novas mídias e tecnologias de informação podem gerar mudanças significativas na absorção do profissional no mercado.

 TEXTO APRESENTADO NA LISTA JORNALISTAS DA WEB.
Material gentilmente cedido por Raphael Perret para o MEIODIGITAL.

    A blogosfera é um organismo vivo, ao mesmo tempo conectado e desconexo.
Conectado porque seus nós se unem através de links. Desconexo porque é
formada por muitas pessoas e grupos, com diferentes interesses. Ela não é um
grupo social com um objetivo definido. A blogosfera apenas reúne pessoas que
têm, em comum, o hábito de escrever em um blog.

Por ser uma massa ligeiramente desorganizada (e isto não é um juízo de
valor, apenas uma constatação), acaba prevalecendo, para quem está dentro,
os temas abordados na maioria dos blogs, ou melhor, nos blogs mais
conhecidos e visitados. Os assuntos emergem e efervescem, ganhando mais
visibilidade do que outros. E tome tecnologia (já que muitos são geeks),
tome notícias bizarras (porque a maioria gosta de escrever piadinha), tome
Big Brother Brasil (porque uma boa quantidade quer ganhar dinheiro com
paraquedistas).

Sinceramente, acho importante que a blogosfera amplifique o conteúdo criado
e reproduzido por ela mesma. É vaidade, mas é natural. Funciona como
mecanismo de valorização do ambiente. Além disso, nem todo autor de blog é
jornalista ou repórter. Por isso, blogueiro não tem compromisso com a
disseminação da informação ou a pluralidade de idéias. Quer apenas produzir
um conteúdo que lhe é caro. Além disso, blogs formam grupos de interesse
mesmo, assim como existem associações de pessoas, de empresas, de
indústrias, de lojas, de entidades, de clubes etc. Se um trabalho de
faculdade vira tema nos blogs, deve ser porque atrai o público do blog – ou
um determinado grupo de blogs. Se a tecnologia é tema recorrente, supõe-se
que muitos leitores querem saber das novidades da computação. Se não é
tecnologia, é entretenimento. Um assunto vai ser mais citado, não adianta.

Como jornalista, entendo a preocupação com a reprodução contínua, na
blogosfera, das mesmas coisas, dos mesmos temas, baseada nas mesmas fontes
de informação. Repete-se, no âmbito da blogosfera, cada vez mais a hipótese
de agenda setting, segundo a qual os meios de comunicação definem o que será
discutido nas pautas sociais, desde a conversa com o vizinho até os maiores
fóruns mundiais.

Se não me engano foi o Alexandre que comentou, e concordo: muitos blogs
acabam seguindo o que as “estrelinhas” da blogosfera fazem, falam e abordam,
em busca de links e de audiência desenfreada, muitas vezes sob o viés
“monetizador”. Em suma, repetem o que já estamos acostumados a ver no mundo
offline. Caso da Rede Record, que imita os telejornais e as novelas da Globo
como estratégia para alcançar a líder de audiência.

Mas o bom da blogosfera não é oferecer espaço a todo mundo? Criar um blog
leva cinco minutos, mantê-lo exige muita aplicação e poucos recursos
financeiros. Na mídia tradicional, concentrada, somos “obrigados” a ver o
que fornecem os poucos veículos disponíveis. Na blogosfera, por que nos
importamos com a prevalência de determinados assuntos? Não gostou, não lê.
Fique com seu nicho, com os textos que mais lhe agradam, com os autores mais
simpáticos, com as abordagens mais originais.

A cada dia surgem milhares de blogs. É improvável que todos sejam
equivalentes a lixo. Se pelo menos um novo blog criado por semana oferecer
material de qualidade, já podemos nos dar por satisfeitos. É verdade que,
quanto mais blogs lutarem pelos primeiros lugares no Google ou aparecerem em
cada vez mais listas de favoritos, mais difícil fica encontrar conteúdo
diferente, original e de valor. Porém, tenho certeza de que neste universo
ilimitado da internet, a tarefa passa longe das raias do impossível.

    Li recentemente o livro “Sobre ética e imprensa”, no qual o autor, Eugênio
Bucci, diz que o jornalismo só pode existir em um cenário democrático.
Portanto, caberia ao jornalista lutar pela preservação da democracia. E a
democracia só é possível em um ambiente plural, que estimule os debates e a
variedade de idéias. Concordei de imediato. Observar e pesquisar esta
movimentação da blogosfera é importante, mas acho que os jornalistas também
podem – e devem – interferir nisso. Se não têm condições de manter blogs,
podem dar espaço e voz para mais temas, mais pontos de vista e mais pessoas,
de forma a mostrar que a blogosfera abrange uma pluralidade muito maior de
opinião e informação.