Demarcação Estrutural e Demarcação Conceitual

Mesmo com os exorbitantes números de páginas existentes na Internet atualmente, é fato que grande parte do acesso acaba por se concentrar em grandes sites ou grupamentos de sites, geralmente estabelecidos a partir de identidade, alcance global e inovação.

Como destaques de sites que se transformaram em verdadeiros domos informacionais, podemos apontar aqueles que no passado eram agregadores naturais de internautas: os sites de antigos provedores de acesso que ainda mantém grande parte dos utilizadores da rede no país. Com a visitação condicionada, naturalmente aos seus domínios, estes sites passam de mera referência inicial para agregadores de conteúdo para todos os públicos.

Em torno destes sites, milhões e milhões de usuários estabelecem seu contato com o mundo virtual.

Os domos caracterizados por alcance global são domínios que ultrapassam as fronteiras culturais e se estabelecem a partir da fidelização de públicos amplos, geralmente atraídos por serviços vinculados a entretenimento e comunicação, como os gigantes que reúnem ambas características, como YouTube e MySpace, por exemplo.

Sites inovadores podem sofrer do efeito hype ou não. Alguns, inclusive, são apontados como futuros hypes, mas emplacam e garantem seu espaço. Impossível não citar o Twitter, cujo fenômeno tem dominado a mídia global. Apesar de muita gente indicar que o grande fluxo de novos usuários neste serviço o configura como rede em expansão, muitos outros, ainda céticos, apostam que não passará de mais um hype.

A Estrutura

A organização destes sites como Domos pode ser percebida em dois aspectos distintos e não necessariamente simultâneos.

  1. Estrutural
  2. Conceitual

Para explicar melhor tais pontos, entendamos que a Cartografia da Informação, conceito desenvolvido pelo prof. Jorge Rocha, oferece-nos o melhor ângulo para uma aproximação, ao passo que a Teoria da Complexidade, de Edgar Morin, oferece-nos a melhor idéia de cenário.

Assim estabelecido, entendamos que, para a Cartografia da Informação, faz parte do modus operandi informacional hipermidiático o elemento de ruptura estrutural, ou seja, ante o infinito fractal de informações oferecido pela Internet, estabelecer as melhores articulações narrativas é uma tarefa que demanda a ruptura da narrativa herdada dos demais veículos.

Um número crescente de fontes e frentes de informação oferece um arcabouço cada vez mais complexo para a articulação da informação. Ignorar estas informações e priorizar aquelas que compartilham de um mesmo domínio, pólo informacional, é uma das ações mais características do domo informacional estrutural.

O Conceito

Para além da questão estrutural, ainda há a territorialidade conceitual, estabelecida a partir de um processo mais amplo de demarcação, que contempla não tão somente as especificidades informativas de um ou mais sites, mas avança na capacidade perceptiva da audiência em relação à noção de espaço permitida na Internet.

Assim, é importante lembrar que uma vez que determinados procedimentos e protocolos são estabelecidos consensualmente, voluntariamente ou involuntariamente, há uma generalização de sua proposta, que se espalha quase que viroticamente por todas as comunidades espalhadas mundo afora.

Esta demarcação territorial conceitual é a grande responsável pela percepção contemporânea de que as muralhas do grid de serviços do Google dão conta de toda a expansão explosiva da rede. A partir deste ponto de vista, joga-se alguma luz sobre a sensação de que toda operação realizada no mundo virtual passa, de alguma maneira, pelos domínios Google, assim como no passado passou pelo Yahoo!, Cadê?, UOL, Terra e tantos outros.

Domos Informacionais

A partir da assimilação destes conceitos, caminhemos para uma análise mais ampla da própria idéia de Domo Informacional.

Como domínio organizado, o site que se estabelece como domo, é agregador de conteúdo em subdomínios, que, por sua vez, organiza estruturalmente centenas (e até milhares) de páginas. Ao redor destas páginas e seus subdomínios estabelecem-se comunidades informacionais que podem ser organizadas (fórum, comunidades de redes sociais, etc.) ou não (sistemas de comentários que não criam ambientes participativos permanentes).

Levando em consideração as políticas extremamente rigorosas de tais domos em relação à abertura exigida pela Cartografia, percebemos então que o motivo que os mantém em constante movimento ainda é sua presença ativa na percepção da audiência bruta, por presença global, inovação ou identidade territorial. E o que os mantêm como centralizadores de narrativas, de articulação do conhecimento e inibidores do próprio caráter libertário da web é sua capacidade de consagrar-se como território pétreo, resquício de um momento fetal da Internet, altamente assimilador e reprodutor das práticas massivas do mainstream.

No entanto, é importante que a Web 2.0 seja encarada não apenas como conjunto de variáveis e protocolos pré-estabelecidos, mas sim como perspectiva criativa e desafiadora dos padrões centralizadores da mídia que ainda se adapta às particularidades da Internet, e convulsa ante seus obstáculos.

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A Dimensão do Impacto

deepDe acordo com texto publicado no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Minas Gerais, Sérgio Murilo Andrade, presidente da FENAJ, disse que, sobre a decisão do STF, ainda não há idéia sobre a dimensão do impacto.

Mas podemos ter idéia da dimensão do impacto, com certeza.

Uma onda de interessados em ganhar status e fama por assinarem seus nomes em veículos de comunicação assolará o cenário profissional do Jornalismo. Haverá excesso de oferta, queda generalizada no valor dos salários, nas condições de trabalho, na qualidade do trabalho e, óbvio, na seriedade da informação.

Para provar isso basta observarmos uma série de ‘revistas’ que circulam no Interior. São páginas e mais páginas escritas por um conjunto de colaboradores que só falam de moda, veículos, festa, coluna social, nutrição, televisão (novelas) e, geralmente, a matéria especial fala de coisas piores, como a nova performance de um determinado grupo musical.

Nada contra esse tipo de trabalho, mas convenhamos que isso passa longe do tipo de trabalho que um jornalista deve exercer. Qualquer que seja o assunto tratado por ele, criticidade histórica é um ponto primordial.

É claro que nem todos os jornalistas são guiados por ideais nobres e ligam para a importância de seu trabalho, e muitos que o fazem ainda são censurados em seu ambiente de trabalho por interesses externos/empresariais que colocam na balança seu dever e sua sobrevivência profissional.

Esse cenário será agora potencializado por a onda de contratações que podem abalar as estruturas profissionais daqueles que pretendam fazer jornalismo sério e transformar o que já era complicado em um caos absoluto.

Está mais que provado que as empresas de comunicação querem é o que gasta menos e abrem mão, sim, da qualidade em detrimento do menor salário. Vejamos o que acontece de hoje em diante. E vejamos o quão sensatos nossos ministros do STF realmente são.

Muita gente fala que a qualidade do jornalista não é dada pelo curso, mas, o curso ainda era um filtro. Agora, sinceramente, não tenho certeza da segurança dos parâmetros de qualidade, ante as ondas avassaladoras de ‘novos parâmetros’ que estão por vir.

Liberdade de Expressão ou Libertinagem de Expressão?

Em exibição no Newseum:

As maiores coberturas jornalísticas de casos do FBI.

Mídia e Governo em busca de assassinos e gangsters.gmenhttp://www.newseum.org/exhibits_th/fbi/video.aspx?item=fbi_exhibit&style=f

Band: inovação e jornalismo no Twitter

Não tem muito tempo eu questionava o uso ‘inteligente’ do Twitter jornalisticamente. Vi muitos canais e portais apresentarem seu conteúdo ao longo do dia, mas, até então, não havia visto alguém fazer o que a Rede Bandeirantes de Televisão vem fazendo.

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Depois de ter criado seu perfil no Twitter, o @bandjornalismo, a Band começou a prestar um tipo de serviço jornalístico muito interessante que consiste em uma idéia simples, mas a ser aplicada com precisão e completo senso das oportunidades permitidas pelo Twitter.

Seguindo seu perfil, recebe-se notícias do jornalismo da Band ao longo do dia, com as hashtags (#) alinhadas de acordo com o programa no ar naquele momento. Assim a Band mantém você informado do que ela fala na televisão e no Rádio, de maneira que, se você julgar que há a necessidade de um aprofundamento basta sintonizar nos canais oferecidos pelo empresa, seja no site, tv ou rádio.

Para os paulistanos a Band lançou um profile no Twitter voltado para o trânsito, com monitoração intensa e notificações rápidas sobre o que acontece no trânsito da capital paulista.

Sobre a presença da Band no Twitter, em recente entrevista cedida ao Portal Imprensa, o diretor de Conteúdo Online da Band, Ricardo Anderaos, é bem claro em relação ao uso de novas mídias:

“Acredito que temos que buscar colocar a informação nas ferramentas novas que são produzidas. A Band aposta que o formato deve continuar, já que ele é bastante prático.”

Realmente a iniciativa é uma idéia muito interessante que serve como ‘grande filtro’ ao que passa na TV.

Bom dia meus amigos e leitores.

Aproveito a manhã deste sábado para apresentar-lhes a reunião de artigos recém-publicados neste blog.

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ciranda1A versão sétima da Ciranda de Textos acontecerá em breve. Ajude-nos na seleção do tema e participe. Acesse o link abaixo e no campo comentário registre seu nome e blog e sua sugestão de tema.

As sugestões atuais são:

  • Campus Party 2009: Revisões
  • Barack Obama e a Internet: Valorização de novos canais.
  • Web 2.0.: Naufrágio à beira-mar!

- Inscrição e Sugestões: CLIQUE AQUI! –

Breve Contexto

  • 3.000 a.C.: Construção das Pirâmides de Giza
  • 1.500 a.C.: Apogeu da civilização egípcia
  • 700 a.C.: Fundação de Roma
  • 200 a.C.: Biblioteca de Alexandria
  • 001 a.C.: Guerra Civil em Roma. Júlio César.
  • Séc I: O Cristo
  • Séc. V: Cai o Império Romano
  • Séc. IX: Primeiro livro impresso (China)
  • Séc. XV: Bíblia de Gutenberg (Imprensa)
  • Séc. XX: Mídia de Massa e a Internet
  • Séc. XXI: Guerras Online (Hamas X IDF)

- GUERRAS ONLINE -

No passado tínhamos notícias das guerras por meio de jornais e relatos que demoravam muito tempo para chegar até nós. Com a chegada do rádio, a informação tornou-se mais precisa, mais localizada no tempo e no espaço. A televisão deu cores e movimento ao que os relatos faziam assombrar nossas mentes. E a Internet deu cores, movimento, sons, instantaneidade e voz aos elementos envolvidos num cenário de guerra.

Começou com o Cotidiano

Ferramentas como o YouTube e seus congêneres deram a todos nós uma nova visão sobre o mundo, sobre a vida, sobre o espaço, sobre muitas coisas. De uma maneira ou de outra, ver pessoas fazendo loucuras, rindo, sendo espontâneas ou não, se emocionando e tudo mais com a potência que o YouTube nos atingiu é uma das coisas mais alucinantes do final do século XX.

Nunca antes havia nos sido concedida oportunidade igual. Nunca antes imaginaríamos que ver a nós mesmos, em todos os lugares do planeta, seria um dos exercícios mais interessantes dos idos de 2005 em diante. As ferramentas de comunicação voltaram-se para nós e nos deram a chance de povoar seus canais com nossos discursos, fossem eles qualificados ou não, fossem eles comprometidos com algo ou não. Foi nos dada a chance de continuarmos sendo o resultado de toda essa História, mas, desta vez, observando nossos passos, nossos dias, nossas peculiaridades, sob o prisma dos meios de comunicação mediados por computadores.

E o que fizemos? Invadimos esse espaço! Dominamos completamente. E ele se transformou num novo espaço da vida do século XXI. Um espaço tão importante que guerras agora não são apenas transmitidas e discutidas neste espaço. No século XXI este espaço também é o campo de batalha.

Hamas X IDF

Antes de qualquer palavra, vamos às marcações da situação. Elas podem nos dar idéia da trilha que percorrerão as palavras vindouras.

HAMAS

  • Acrônimo de Ḥarakat al-Muqāwamat al-Islāmiyyah cujo significado é Movimento de Resistência Islâmica.
  • Grupo paramilitar e político criado em 1987, na cidade de Gaza. Atualmente possui a maioria das cadeiras no Conselho Legislativo da Autoridade Nacional Palestina.
  • Fazendo usos de ataques violentos que visam tanto alvos civis quanto militares em Israel, o Hamas é considerado Terrorista pelo Conselho da União Européia, Estados Unidos, Japão e outros países.
  • Conta com mais de 30 mil homens armados e uma vasta infra-estrutura de guerrilha no território palestino.
  • Através de uma rede de serviços sociais e de caridade, estabeleceu-se fortemente numa área habitada por mais de 2 milhões de palestinos.
ONLINE:
  • Imagens registradas por equiples locais e civis mostram vítimas dos ataques de Israel. Os vídeos e fotos são disponibilizados em sites islâmicos, chamando a atenção do mundo para o sofrimento de inocentes envolvidos, atraindo pessoas para a causa.
  • Mensagens convocando para a “Destruição de Israel” ocupam incontáveis sites da região e da comunidade islâmica mundo afora.
  • Hackers que apóiam o Hamas derrubam/destroem mais de 300 sites israelense no primeiro final de semana do conflito.
  • Mantém softwares próprios, offline e online, dedicados a questões do povo palestino, apontando para o “inimigo Israel”.
  • Tem redes sociais próprias, assim como ferramentas destinadas à facilitação de operações terroristas em todo o mundo.

IDF

  • Acrônimo de Tzvá HaHaganá LeYisra’el cujo significado é Exército de Defesa para Israel, ou Tzahal.
  • São as Forças Armadas do Estado de Israel, criadas nos anos de 1948 e 1949.
  • Está entre as mais temidas forças nacionais do mundo.
  • Contam com uma das melhores tecnologias de guerra da atualidade.
  • Possuem forte aparato militar em terra, mar e ar.
ONLINE:
  • Criaram um canal no YouTube para mostrar a precisão de seus ataques e a destruição conseguida.
  • Desde o início do conflito recente, dizem ter “neutralizado” mais de 300 milicianos do Hamas.
  • Avançam a cada dia em direção a pontos estratégicos do Hamas na Faixa de Gaza, com o objetivo de aniquilar seus postos avançados, os quais acusam de serem os responáveis por mísseis que atingem Israel há quase um mês.
  • Possuem comunidades em muitas redes sociais, arrebanhando defensores de sua causa em todas as mídias/ambientes online possíveis.
  • Em 4 dias, mais de 20 mil pessoas se cadastraram em uma comunidade no Facebook que apóia o ataque da IDF à Gaza.

O quê está em jogo?

Desde tempos, literalmente, imemoriais, a situação da região compreendida a leste do mediterrâneo e oeste da Índia é, no mínimo, calamitosa. Embates envolvendo grandes civlizações, culturas e crenças do passado aconteceram ali. Se aquelas terras pudessem vomitar seus mortos, um mar de cadáveres inundaria as costas dos países ao longo do mediterrâneo e ao longo da costa norte da África e sul da Turquia.

A macro-região de Jerusalém é assolada por disputas desde Nabucodonosor, passando pelas Cruzadas e seus tempos turbulentos, chegando à Contemporaneidade. Realmente todos nós sabemos que a solução para questão “Palestina x Israel” não virá em um processo a curto prazo. Todos sabemos que a guerra naquelas regiões sempre foi feita à base de ferro e fogo mas, assim como no passado, expandiu seus limites para outros campos. Antes o da fé e agora do da informação.

Tanto IDF quanto Hamas estão encarceirados em séculos de desavenças e têm histórias para contar e nos ludibriar por uma quantidade de tempo quase equivalente a essa. Caminharem para ambientes onde a “produção do discurso” é fomentada, é o primeiro passo para iniciarem um outro processo, que vai muito além da disseminação de suas ideologias localmente. Quando inaugura seu próprio canal no YouTube, a IDF quer mostrar ao mundo o que tem a dizer, e não apenas aos israelenses e judeus.

É vital que, para que essas linhas completem algum sentido, uma observação contínua seja levada adiante, de maneira a tentar estruturar um cenário global da participação de ambos os discursos na Web 2.0. e como esta participação tem surtido efeito nas audiências tanto envolvidas diretamente quanto indiretamente.

Portanto convido-os todos a, sempre que possível, compartilharem informações sobre movimentações tanto do Hamas quanto da IDF nos vastos domínios da rede mundial de computadores. Analisemos como a Internet atua em questões tão materiais e seculares quanto as guerras modernas.

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Referência:
- Wikipedia: verbetes “HAMAS” e “IDF
- TimesOnline:  GAZA: Secondary war being fought on Internet

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Hoje pela manhã, como de costume, abri meu email esperando encontrar oportunidades de emprego. E como de costume também o resultado foi o mesmo dos últimos tempos: NADA.

Então, já visualizando os demais e-mails deparei-me com alguns que vivem chegando pela deliciosa lista Jornalistas da Web. Pulando de um para o outro resolvi fazer uma visita no próprio site da lista para ver quais as novidades por lá. O primeiro tópico que me apareceu na home foi convidativo: “O NOVO PROFISSIONAL: Conheça algumas habilidades inerentes ao webjornalista”. Hummm. Muito interessante. Cliquei. A matéria então era “Você sabe o que é Jornalismo Online?“, postada por Mário Cavalcanti e escrita por Bia Mansur.

Ao deparar com essa pergunta-título logo veio-me à cabeça que exatamente estas duas expressões: “Webjornalismo” e “Jornalismo Online” foram alvo de empenho teórico na produção de um trabalho acadêmico em 2006. Na escrita daquele trabalho eu e Fernanda Abras percebemos ser necessária precisa explicitação, pelo menos do ponto de vista conceitual, das diferenças entre Webjornalismo e Jornalismo Online.

O mais interessante é que fizemos essa distinção justamente por considerarmos mais prudente estabelecermos linhas guias comuns para a articulação do raciocínio sobre o próprio cenário jornalístico que se configura na web. Preocupados em não apenas demonstrarmos facetas mutáveis da web (como a análise de procedimentos dependentes de ferramentas ou programas que logo se tornam obsoletos) concentramo-nos na crítica ao modus operandi do trabalho jornalístico. Ou seja, concentramo-nos nas potenciais diferenças entre adotar a Internet como vitrine de produção e utilizá-la como mapa de trabalho.

É prática comum das das vitrines de produção injetarem vasto conteúdo usando grandes vantagens da web como a capacidade de memória e banco-de-dados para gerar imensos catálogos enciclopédicos sobre o que acontece no mundo. Apesar de seus prós e contras, estas vitrines ocuparam seu espaço e sua ausência, atualmente, chega a ser incocebível.

Mapas de trabalho, ou cartografia. Eis um termo que tornou-se cada vez mais forte à medida que desenvolvi um trabalho de Iniciação Científica com o prof. Jorge Rocha, do blog O Jornalismo Morreu. Analisando iniciativas ao redor da www, percebemos que mesmo com a forte presença do mainstream na alimentação de conteúdo, alguns projetos vinham dando certo e ganhando respeito. Sites como OhMyNews International e SlashDot foram analisados não a partir das ferramentas que utilizavam e coisas meramente funcionais. Neles percebemos que o jeito de se pensar na Comunicação estava se alterando. O papel do clássico mediador, gatekeeper, começava a perder força, uma vez que quanto mais abertos à participação os sites se tornavam, mais e mais ferramentas e outras iniciativas nasciam. Até que se consolidou de vez o termo web2.0. O jornalista agora estava em níveis semelhantes com sua audiência. Todos produziam conteúdo. Mas caos informacional não é conhecimento. Para tanto é necessário articular isso tudo. Ou ao menos fazer sugestões, como um mapa pode fazer, e um cartógrafo da informação deve fazer.

Retornando então à minha argumentação tema deste pensmento, vejo, com certo incômodo, o uso dos termos como que representantes da mesma coisa. Webjornalismo e Jornalismo Online devem ser diferenciados. Ou devemos estabelecer um termo comum para cada uma das práticas. Afinal estamos lidando com maneiras muito distintas, profundas e lapidadas de observar a Comunicação Mediada por Computadores. Há uma diferença no modo como observar a rede. Deve-se escolher através de qual prisma observar.

Já apontando para estas diferenças importantes e explicando-as brevemente, creio ser interessante também apresentar alguns pontos da matéria de Bia Mansur que me permitiram mais reflexões.

Para Bruno Rodrigues, autor de ‘Webwriting – Redação & Informação para a Web’, consultor em informação e comunicação digital, o profissional de comunicação precisa ter curiosidade por todas as mídias, tanto tradicionais quanto digitais, e uma grande vocação para lidar com a informação.

- Jornalista que não está imerso na evolução não tem futuro. Isso porque ele deve pensar o conteúdo como algo único, mas multifacetado. Sua missão é adaptar a informação às diferentes plataformas onde será veiculada – explicou. [Bruno Rodrigues]

Discordo deste ponto de vista do consultor Bruno Rodrigues. Não acredito que a missão seja esta, levando em conta a velocidade com que as conexões trabalham hoje, cada vez mais interacionais e mais baratas. A participação potente do público é questão de tempo. Então, independente da produção seguindo restrições quanto à plataforma, acredito que a missão do jornalista que pense em web2.0, seja alicerçar o que vêm de cada um das plataformas e permitir que a narrativa gerada disso seja acessível em cada uma das plataformas. Conexão fractal. A menor parte tem tudo que o todo deve ter: Teoria da Complexidade, Edgar Morin.

O certo é que, mesmo na era digital, o bom jornalista continua bom jornalista, só trabalhando mais rápido. Bia Mansur

Outro ponto que discordo. Não acredito que isso seja o “certo”. Até porque estamos vivenciando uma indefinição conceitual sobre o próprio campo por onde caminhamos. Portanto, cegos quanto ao nosso cenário, é perigoso traçar esse tipo de trilha considerando-a “salva” dos perigos das bolhas web.


Leia a matéria de Bia Mansur, para o Jornalistas da Web. Entrevistas com Bruno Rodrigues e Meira da Rocha. Pesquisadores de jornalismo online.

MeioDigital foi escolhido para ser hostblog da segunda edição da Ciranda de Textos. Ao longo do dia atualizaremos esta lista de acordo com o recebimento de novos posts dos blogs participantes. O tema desta edição é “Mercado de Trabalho”.

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André Deak
Em seu blog, André Deak oferece uma excelente sugestão para aqueles que se sentem muito frustrados com o pouco acesso ao mercado profissional: “Mas a coisa não é totalmente ruim. Os jovens têm uma vantagem bastante, mas bastante grande nesse momento, se bem aproveitada. O domínio das novas tecnologias.” De acordo com Deak, a presença da Internet na vida das pessoas em alguns anos será muito maior que já é hoje e, portanto, aquele profissional que se adaptou às evoluções do mundo digital estará com vantagens confiáveis na conquista do emprego. Leia mais.

Ius Communicatio
Com um texto gostoso de ler, Gabriela Zago faz interessantes apontamentos sobre a absorção dos recém-formados no mercado brasileiro. Há um problema maior que a qualidade de formação? E a participação ativa do estudante na ampliação de sua formação? Gabriela apresenta uma lista de sugestões e boas idéias para o recém-formado encontrar uma caminho menos complicado até sua estabilização profissional. Vale a pena ler.

Pós-texto
“Então temos um paradoxo: estudantes de comunicação e recém-formados sem experiência são deixados de lado, enquanto pessoas de outras áreas exercem a profissão sem o diploma. E empresas e jornalistas avançam na batalha contra a necessiadade do diploma.” Bruno Calixto faz uma reflexão sobre as contradições do cenário profissional jornalístico brasileiro, analisando o procedimento das empresas na contratação de estagiários e como a falta de regulamentação da profissão está frustrando cada vez mais recém-formados, estudantes e profissionais. Boa leitura.

Herdeiro do Caos
O jornalista Yuri Almeida, através de uma análise do ciberjornalismo, leva a discussão para as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, informando que a “liberação do pólo emissor”, nos processos comunicativos da Internet, por exemplo, acabam por se transformar em novos horizontes para a prática jornalística, pois cada vez mais será necessária a participação de mediadores nos infinitos discursos que se alocam na www.

Syntese
Juan Saavedra escreve-nos sobre a importância de não se deixar levar pelos dissabores do mercado de trabalho. Argumenta sobre a necessidade de ser versátil e lidar com a inevitabilidade de situação. “Ninguém deve abandonar suas ambições profissionais em nome do pragmatismo. No entanto, romantismo não põe comida na mesa. Uma visão mais estratégica é uma saída para o labirinto do desemprego.” Leia mais.

Freelancer – O Profissional que Rala
Excesso de profissionais para uma preocupante escassez no campo de trabalho. Poucos e grandes veículos de comunicação controlando a maior parte do mercado. Regulamentação profissional confusa e pouca segurança trabalhista. A jornalista Ceila Santos argumenta que o cenário jornalístico vive um momento de transição e que as transformações trazidas pelas novas mídias e tecnologias de informação podem gerar mudanças significativas na absorção do profissional no mercado.

Uma profissão?

Eu acredito ainda que blogar é um hobby. Alguém que escreve bem ou gosta de escrever. Alguém que goste de articular opiniões, desbravar conceitos, levantar discussões, fazer clipping de notícias de toda a web, rascunhar alguns momentos da própria vida, postar fotos de encontros e momentos importantes. O blog serve para tudo isso.

Obviamente existem plataformas de edição de blogs que visam um ou outro público, uma ou outra linha de publicação, mas, de maneira geral, a essência do blog está em conferir liberdade de expressão ao seu mantenedor e funciona, quando assim pensado, editado e mantido, como também uma plataforma fomentadora de discussões que podem, muitas vezes, fugir dos temas da grande imprensa que têm uma esfera própria. E são frutos de um modus operandi próprio, que, apesar de ser visto com antiquado ou obsoleto, ainda serve muito bem aos “interesses da sociedade” e daqueles que dão as cartas no selvagem mainstream.

Portanto, apesar de ser um tema que me leva a reflexões muitos intensas sobre liberdade de expressão e teorias da comunicação, vejo os blogs, com “bons olhos”, reproduzindo as palavras de Etevaldo Siqueira, na mesa redonda que reuniu jornalistas e blogueiros.

Mas, como já dito por vários amigos, blogueiros e jornalistas, existem “jornais e jornais”, “blogs e blogs”. Mais uma vez aproveitando as palavras de Etevaldo Siqueira, é perceptível que a onda por sobre a qual muitos blogueiros pretendem enxergar o horizonte é impulsionada por um turbilhão de blogs natimortos, splogs e outros que são engolidos pelo esquecimento. Siqueira deu o exemplo das empresas, e eu concordo com ele. Quando fiz curso técnico de administração, lembro-me de um professor que deu esse exmplo: “A cada 100 empresas criadas por ano no Brasil, 90% fecham as portas antes do primeiro aniversário.” Claro que estes são problemas vinculados à planejamento, estratégia, força de vontade e espírito empreendedor. Mas um blog também deve ser pensado nessas condições. Pelo menos um blog que possa, algum dia, querer reivindicar alguma coisa em relação à “direitos de informar”, “qualidade do trabalho” e coisas do tipo.

Sinceramente acho que existem pontos nas Teorias da Comunicação que vão para além da prática. Blogar é um exercício prático que se refina com experiências próprias dos autores, de acordo com suas formações, personalidade, ideologia e tudo mais. O questionamento que sempre me corre pela cabeça é o seguinte: “Aliar a prática comunicativa à potência tecnológica sem um aprofundamento na teoria para a reflexão sobre os verdadeiros prós e contras do novo paradigma da informação na constituição de uma sociedade melhor vale realmente a pena?”

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