Segurança: URLs no Twitter

URLs no Twitter: Pede-se Cautela

É inegável que o Twitter se alastrou com uma rapidez tamanha que a comunidade de desenvolvedores responsável por torná-lo funcional e eficiente teve problemas por várias vezes com excesso de tráfego. Desde o princípio até recentemente.

O termo baleiando, hoje bem difundido no internetês, tem sua origem no desenho de uma baleia que aparecia nas telas do Twitter quando o serviço de ‘microblogging’ enfrentava lags (lentidão) inconvenientes.

Isso tudo mostra que o Twitter é um dos hypes mais badalados desde o decadente Second Life.

O fenômeno é tamanho que no mês de maio, os principais veículos de comunicação fizeram dele um novo espaço de arregimento de visitantes fiéis. Afinal, estabelecer contato direto com a audiência, como profetizam os profissionais de marketing em relação às potencialidades do Twitter, é uma das grandes jogadas da comunicação moderna.

Mas muito se fala em possibilidades e potencialidades, mas pouco se fala no custo de tais opções, principalmente no que é referente a um tópico sério, mas pouco interessante à grande maioria dos usuários da Internet: a segurança.

SPAMs, Phising, Crise, Coréias e Twitter

O Spam State Report – Maio 2009, famoso relatório mensal da Symantec sobre a dinâmica do spam e das ameaças que circulam na web, aponta que neste último mês as ameaças de spam e phising se equilibraram sobre três grandes pilares do interesse global: a Crise Financeira; a Tensão entre as Coréias e o Sucesso do Twitter.

Ou seja, os grandes temas da atualidade são quase que automaticamente o foco de interesse dos crackers. Dos anúncios de oportunidades de negócios relacionados à grande queda de preços dos veículos, passando pela tensão entre Coréia do Norte e Coréia do Sul até alcançar o Twitter e serviços vinculados.

Muita gente ignora o perigo escondido por trás das máscaras de URLs (também chamados de compactadores de URLs) sem saber que, mesmo veiculadas em serviços que julgam confiáveis, estão recebendo de braços abertos um perigo potencial.

Em 2009, o boom do Twitter trouxe à tona esse tipo de problema. Mesmo sendo um recurso antigo, as máscaras de URLs podem se transformar em veículos eficientes de disseminação de perigos virtuais, de spams e worms até recolhimento de dados sigilosos que podem render anos de muita dor de cabeça.

Máscaras de URLs

Quando se insere um endereço web muito longo no campo de 140 caracteres do Twitter, o caminho é reduzido a uma linha de endereço bem reduzida, de maneira a permitir ao usuário inserir mais informações e deixar seus posts mais precisos e dinâmicos.

Em um primeiro momento, isso parece ser sensacional, mas pode também ser um problema enorme.

Muitas máscaras de urls permitem que o usuário possa, ao passar o mouse sobre o link, ver o real endereço mascarado. Isso é útil quando permite acessar sites nos quais confiamos e identificar, antes de qualquer coisa, para onde o link em questão está apontando.

No entanto, muitos outros serviços de máscaras de URLs não apresentam essa opção, o que os transforma em armas muito úteis aos disseminadores de ameaças digitais.

Quando uma máscara não possibilita a identificação imediata do endereço para o qual aponta, ela pode se transformar em uma armadilha, principalmente se vier inserida no tweet de um conhecido ou pessoa/instituição/entidade/empresa de confiança.

Basta que o cracker aponte o link para uma típica página de phising e a condicione a receber visitantes captados por uma mensagem espalhada no Twitter.

Um exemplo típico seria uma mensagem do tipo “Ganhe dinheiro rápido e fácil com o Twitter!”. Com certeza é o tipo de conteúdo que chama a atenção de grupos amplos de usuários e podem se espalhar por re-tweets com uma velocidade assombrosa.

Quando se clica no link, mascarado e reduzido, mal se pode saber para onde você vai ser levado até que a página em questão seja aberta no navegador.  É possível fechar a página e desconsiderar o link e sua promessa, mas muita gente simplesmente continua no processo, enviando, muitas vezes, informações variadas e/ou sigilosas e recebendo arquivos enviados por estes sites.

Assim, mesmo interessado em um determinado assunto, é vital que um usuário do twitter (ou de serviços do mesmo tipo), esteja muito atento aos endereços mascarados enviados. Mesmo sendo provenientes de contatos tidos como confiáveis, é preciso não arriscar, uma vez que tal contato possa ter feito um re-tweet de uma mensagem maliciosa ou mesmo esteja fazendo o papel de um hospedeiro involuntário das múltiplas ações criminosas praticadas por cibercriminosos.

TwitterFox

Atualmente utilizo o Twitter via TwitterFox, um programa rodado junto com o Firefox que me permite enviar e receber posts, RTs, replies e direct messages, sem ter que, sequer, acessar o domínio twitter.com. Nesta ferramenta recebo, a cada minuto, dezenas de links de amigos, canais de notícias e RTs. Estes links vêm substituídos por variados tipo de máscaras de URL.

Fiz um levantamento de quais destas máscaras permitem que eu veja o endereço real do link no TwitterFox:

urls

As máscaras que não apontam seus links eu evito pelos simples motivo de não poder conferir o endereço mascarado. Mesmo sendo que o link seja enviado por amigos, basta ter ciência que muitas infecções e disseminações de worms ocorrem justamente pelo fato dos hospedeiros não saberem que estão infectados e muita vezes não saberem que estão replicando estas ameaças através de e-mails enviados automaticamente por worms a partir de seus computadores.

Spams e o Caso McColo.com

O Caso McColo.com

Se pudéssemos enxergar todo o cenário dos SPAMs e outros Malwares como uma guerra real, poder-se-ia dizer que a queda da McColo.com assemelha-se à conquista de um ponto estratégico e à neutralização de centrais de controle de operações e armamento.

De fato, com o desligamento dos servidores da McColo.com, houve uma diminuição evidente no tráfego mundial de spams: foram reduzidos a apenas 1/3 do que eram horas antes.

No entanto, especialistas de vários centros de segurança apontam que este momento de triunfo na guerra contra os malwares não vai durar muito. O negócio é muito rentável para ser abandonado sem novas tentativas de fazê-lo funcionar novamente. E para tanto, indicam Rússia e China como possíveis novos centros de organização de facções criminosas da rede mundial de computadores.

O Cenário pós McColo.com

Às 21h30 do dia 11 de Novembro de 2008, provedores de acesso cortaram a conexão dos sistemas do domínio McColo.com, a partir de muitas solicitações de firmas de segurança que apontavam para os IPs da McColo.com.

Poucas horas depois do desligamento, o volume de tráfego de spams nas redes de observação da Symantec cai 65%. Um fato interessante e surpreendente.

Apesar dos registros se manterem estáveis durante todo o mês, com poucos picos de volume de spams, analistas da Symantec observaram que estes picos (gerados por Storms) estavam recheados de mensagens oriundas em sua grande maioria de servidores localizados na China.

Muitos dizem que em pouco tempo a atividade de spams voltará aos padrões de antes, em termos de periculosidade e volume, no entanto, o lado otimista da história vem de Matt Sergeant, especialista em tecnologia antispam da MessageLabs. Em entrevista ao site TheRegister.com, Matt disse que manter servidores em lugares como Rússia e China aumenta consideravelmente os custos operacionais da prática de SpamStorms e distribuição de malwares.

Aparentemente o ganho é mais quantitativo e menos qualitativo, uma vez que baseado nos altos valores envolvidos nesse tipo de negócios, o preço será justificável ante a possibilidade de lucros.

Volume Crescente e Preocupante

No entanto, falando em quantidade, de acordo com informações publicadas em Julho pela Kaspersky, o número de códigos maliciosos detectados em 2007 chegou aos 2 milhões, mais que o total de todos os anos anteriores juntos. A previsão é que em 2009 este número seja de 20 milhões. A Kaspersky Lab ainda aponta que nessa situação existe um risco sério: “o volume começa a sobrecarregar os laboratórios de segurança!”

Em seu relatório de 2008, a Cisco apresentou mais alguns dados:

  • Spams correspondem a 90% do tráfego mundial de E-mails;
  • Em Setembro e Outubro de 2008 a marca de spams por dia beirou os 200 bilhões;
  • O número de Arquivos Anexos abertos a partir de e-mails diminuiu consideravelmente, enquanto o número de Links Maliciosos abertos a partir de e-mails aumentou.

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Referências utilizadas

Firefox 3

Depois de recentes problemas graves de segurança admitidos pelo Mozilla, Mike Beltzner, Chefe de Experimentos em Usabilidade da empresa, divulgou que o Firefox 3 será muito mais seguro. De acordo com Beltzner o programa contará com um bloqueador de malwares do Google e uma nova ferramenta anti-phising que bloqueará sites falsos e suspeitos.

Entre os problemas diagnosticados, uma falha de segurança do Firefox permitiria que bots, trojans, spywares e malwares contaminassem o sistema.

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