Carnival of Journalism – Um típico projeto 2.0.

Iniciativas como a Carnival of Journalism servem-nos em vários aspectos. Um dos principais talvez seja a possibilidade de alinhar os raciocínios, ou seja, apresentar as idéias e discutí-las de maneira saudável, utilizando o próprio tema da discussão como plataforma para o debate.

Outro ponto interessante é a experiência que o leitor adquire ao navegar por entre desdobramentos variados, oriundos de pontos de vista distintos, conciliatórios ou não, sobre a prática da comunicação e do jornalismo na Internet. A idéia de que um blog funcione como guia de leitura para o tema é sensacional. Um ponto de partida, com breves análises sobre os assuntos abordados, de maneira a oferecer ao leitor uma linha guia, uma sugestão do caminho a seguir. E é sobre isso que pretendo conversar um pouco com todos.

Nesta primeira edição do Carnival of Journalism no Brasil, uma série de especificidades da Internet foi colcada em prática. A primeira delas, senão, coincidentemente, a mais antiga, foi a organização do evento através de uma lista de e-mails, um discussion group. Nada mais interessante que começar um projeto a partir de onde o próprio projeto Internet começou: trocas de mensagens, trocas de emails. A partir daí o contato entre os interessados foi se intensificando até que outros entraram no projeto. O professor e jornalista Jorge Rocha estabeleceu uma lista de nomes e blogs para facilitar a vida de todo mundo. Para que todos também se conhecessem melhor. Aqui está o outro ponto interessante, também típico da Internet e uma de suas mais potentes facetas: o do it yourself. Eu, particularmente, conheço pouco de programação de sites e/ou computadores e valendo-me dessa ignorância sou utilizador de ferramentas de rápida edição de conteúdo online, como os servidores de blogs. E também percebo que muitos dos blogs participantes deste projeto utilizam-se de serviços no esquema do it yourself. Desde serviços de indicação de conteúdo até gadgets que acompanham outros serviços de conteúdo, como Twitter e por aí vai.

Todos nós blogueiros, de alguma maneira ou de outra, estamos imersos e fazendo imergir na Web 2.0. Cada vez mais conciliamos nossa produção jornalística às parafernálias distribuídas por centenas de serviços na Internet. Existem blogs com tantos gadgets reunidos que fica difícil achar o que se pretende ler. Mas isso é uma questão de estrutura, não de competência jornalística. Mas a questão a ser percebida e pensada aqui é como, desde sua criação, a Internet tem servido como base de lançamento para milhares de programas inovadores, que facilitam nossa vida e nos permitem encarar o mundo virtual e o mundo real com outros olhos. Serviços como NetVibes e iGoogle são organizadores de serviços, transformando o computador em uma base de informações gigantesca, todas a serviço da vontade do usuário.

Cada vez mais recursos estão reunidos dentro e fora da plataforma dos navegadores. No mundialmente conhecido Orkut, por exemplo, pode-se saber se algum contato está online no GTalk, que é um programa, rodado por fora dos padrões dos navegadores. Assim como o iGoogle e o próprio NetVibes permitem que se tenha acesso às caixas postais de servidores de email variados.

Retornando ao raciocínio; outro ponto que acho valioso de se ressaltar é a abertura de navegação possibilitada pelos uso 2.0. da rede. Em qual lugar do planeta pensaria-se que um jornal fizesse redirecionamento de seus leitores a outro jornal? Pois é o que acontece aqui e na comunidade blogueira de maneira geral. Não há porque tentar aprisionar a audiência. A grande jogada é abrir o conteúdo, oferecer caminhos e tentar se estabelecer como um vendedor de mapas, de linhas de leitura, de possibilidades de narrativas, ou, ao menos, mostrar os pontos-chave e deixar que cada um faça o caminho que quiser. E é aqui que percebo a Cartografia da Informação.

Em mares turbulentos e recheados de um caos informacional fractal, oferecer possibilidades de narrativa é o papel do jornalista. Não se pode mais controlar a inserção de conteúdo na rede. E jamais deveria-se, sequer, pensar em tal saída, mas, como pode-se perceber, se dependêssemos de alguns magnatas da mídia, ainda estaríamos copiando e colando matérias tradicionais para vitrines empoeiradas de sites pouco dinâmicos e nada funcionais.

Deve-se trabalhar com o inevitável e o inevitável é que a audiência, sob as flâmulas da Internet, nunca mais será a mesma. Ao profissional ou entusiasta do jornalismo que pretende sobreviver na Rede, cabe a tarefa de oferecer caminhos e aceitar sugestões e críticas, transformando a informação em uma troca de experiências, transformando parágrafos secos em diálogos com o público.

Poderíamos ir longe nessa discussão se ainda nela inseríssemos questões relacionadas à convergência de mídias, podcasts, webTV, simuladores massive, Google Earth e tantos mais. Mas ficamos por aqui, por enquanto.

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Vários blogs irão publicar textos sobre jornalismo online nesta quarta-feira na primeira rodada da Ciranda e, a cada mês, um deles fará uma espécie de guia de leitura: um resumo de cada texto e um link para o endereço onde ele se encontra. É o modelo dos Blogs Carnivals, que por aqui André Deak está chamando de Ciranda de Textos.

Leia a opinião de outros blogueiros que participam desta rodada e escreva também. Basta dar uma lida sobre a idéia no blog do Deak e seguir em frente:
André Deak – www.andredeak.com.br
Libellus – http://www.anabrambilla.com/blog – Ana Maria Brambilla
O Jornalismo Morreu –
http://www.verbeats.org/blogs/exu – Jorge Rocha aka JR
Pedro Penido –
www.meiodigital.wordpress.com / www.tempusfugere.blogspot.com
Bruno Rodrigues – http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br

ius communicatio – http://www.verbeat.org/blogs/gabrielazago – Gabriela Zago
Raquel Camargo –
www.raquelcamargo.blogspot.com
Anderson Costa – www.andersoncosta.org/blog www.velocidade.org
Carlos d’Andréa – novasm.blogspot.com
Flavia Garcia – http://ideiasdetodos.blogspot.com/
Lia Seixas http://generos-jornalisticos.blogspot.com

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