REFLEXÕES: Domos Informacionais – O processo de polarização

Lembro-me que em 2006 escrevi um artigo que criticava o nascimento, espontâneo ou não, dos domos informacionais na Internet. A crítica foi relativa ao fato de muito da noção de web que as pessoas tinham sobre Internet concentrava-se na produção de serviços e conteúdos de grandes portais. Zaz (depois Terra) e UOL, agora unidos a GLOBO.COM, conservam grandes catálogos de informações. No entanto, a produção de conteúdo de um portal segue uma linha de trabalho diferente daquela que acontece em comunidades informacionais e outros serviços ao longo da world wide web.

Por agora não pretendo questionar a existência desses portais, por alguns motivos. Entre estes motivos, o mais explícito é que estes grandes portais, de uma maneira ou de outra, são nós do mainstream que já se entrelaçaram e solidificaram na rede, inclusive trazendo tanto benefícios (reuniram grandes conteúdos, têm um serviço de CTRL+C e CTRL+V muito eficiente para quem quer informações rápidas e seguras) quanto malefícios (monopolizaram serviços e acesso a blocos de seus conteúdos, solidificaram seus territórios na rede, não utilizam uma árvore de links que guie o leitor para outros olhares, mantendo-o sempre em seus domínios). Mas essa prática dos portais nasceu com os primeiros usos da Internet, que, obviamente, muito se assemelharam ao de seus pioneiros em termos de gestão de informação: os grandes grupos de mídia que viram na rede uma vitrine de suas produções. Confesso que há aprofundamentos interessantes nesta discussão,  mas limitemo-nos à ao tema inicial.

Essa prática parece estar minguando. O nascimento e crescimento de sites como Limão, SlashDot, OhMyNews, Overmundo, Orkut, MySpace entre muitos outros, só potencializou o papel do “simples usuário” torando-o “agente ativo na estruturação do próprio movimento da rede”. A participação da audiência começa a experimentar passos mais rápidos no desenvolvimento de ferramentas interacionais. Mas, por mais interessante que nos pareçam estas tendências tecnológicas, mais assustador é um pensamento: a polarização da informação.

Este processo, inclusive, fortaleceu-se com as incursões da globalização no modus operandi das práticas, demandas e ofertas informacionais ao redor do planeta. Mais jornais compram mais informações das mesmas agências de notícias, de forma que o cenário internacional cada vez é mais e mais moldado de acordo com os ditames de corporações tecnocratas. Este mesmo cenário pode ser visto no que acontece com a manifestação da informação na web. Por exemplo os blogs, que têm sido a plataforma mais interessante para disponibilizar conteúdo, acabam se aproximando de uma função de Observatório de Imprensa, que é muito válida, mas não a única coisa a se fazer. Apesar de se perceber um amadurecimento rápido na blogosfera, a fatia daqueles que sistematizaram sua capacidade de produção genuína ainda é incômoda. Para ilustrar esse rabisco de reflexão pensemos em algumas questões que já perambulam por alguns lugares (de bares, de fóruns, de listas de discussão, de IMs, twitters, orkuts, blogs, centros de pesquisa, etc.):

  1. Grande parte dos blogs pessoais desaparecem antes de completar um ano.
  2. Outra parte considerável de blogs aprenderam a se alimentar do mainstream para lançar seus desdobramentos.
  3. Há uma banalização instituída da Internet como espaço voltado para a diversão. Muitas pessoas acreditam que a www limita-se à e-mail e orkut. Muitas só precisam disso, como elas próprias dizem. Mas outras tantas poderiam se interessar por outras coisas.
  4. Há pouca abertura para conteúdos externos. Parecemos todos estar magnetizados às raízes de nossos nós de conexão.
  5. Pouco se desenvolve na funcionamento interaciona da mídia Internet. Existem muitos recortes sobre funcionalidades de facetas distintas da web, de suas ferramentas e processos gerados por ela, mas pouco se fala das engrenagens que movimentam esta máquina viva.

Parece-me então que o processo de polarização dos dados é relativo à própria expansão da teia. Quanto mais a participação de cada nó se equipara à participação de outros nós, mais há um processo magnetizador do tráfego ao redor deles. Acredito, não sei se sobriamente, que a superação dessa percepção é um avanço em direção ao futuro das tecnologias de comunicação.

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