Publicidade 1.5.

Pouco tempo atrás estava vasculhando a Internet em busca de coisas interessantes para conhecer. E, obviamente, em algum momento acabei rendendo-me às muralhas das bookmarks. E na estrada de tijolos amarelos em que caminhava deparei-me com o Libellus, claro.

Lá o post era o seguinte: Publicidade 2.0,

A pesquisadora e jornalista Ana Maria Brambilla aponta que em uma matéria na http://www.gazeta.com.br, intitulada “Internet colaborativa influencia publicidade”, os autores fizeram uma boa seleção de grandes projetos publicitários que haviam, de alguma maneira, feito proveito das práticas 2.0 vigentes no ciberespaço. Citam exemplos como Nescau 2.0 e “Eu sou “fulano” e esse FIAT é meu”

E pensar que antes falávamos tão ansiosos em “mídias convergentes”. Como se apenas alguns canais de comunicação estivessem ativos e ainda seguissem um curso pré-definido. O que se pode perceber aqui, tomando a licença de não cair por sobre os vastos mares da discussão política em torno das consequências disso numa super-estrutura, é que, de certa maneira, o avanço que a tecnologia segue é inominável. Em questão de poucos anos percebemos o mainstream sendo utilizado pelas práticas colaborativas 2.0. como apenas mais um elemento, ou seja, não mais como elemento central na articulação do projeto publicitário. Afinal, levando-se em conta que a televisão, em alguma situação, pudesse ser substituída pela mídia impressa ou pelo rádio, o elemento central da lógica dessa propaganda é a possibilidade da audiência suprir, de alguma maneira, o próprio anunciante com um feedback instantâneo, convertido para um formato de publicação. O principal elemento articulador da cadeia de comunicação estabelecida aí é a participação (possibilitada pela web2.0 e não pela televisão). Assim, o anunciante, além de receber o feedback instântaneo (que os sites já permitem), ainda convida a audiência a participar da criação e manutenção do comercial, enviando vídeos que (no caso do Nescau 2.0.) são utilizados para a confecção do próximo comercial.

Está claro um efeito material em larga escala da exploração dos processos comunicacionais típicos da web2.0. pela publicidade. Os benefícios publicitários dessa iniciativa são enormes, uma vez que a empresa provavelmente faz um filtro “editorial” sobre o que entra e o que não entra, recebe uma visão de perfil de mercado sem precedentes e ainda fideliza muito mais os consumidores.

Mas há de se pensar que esse tipo de “colaboração” é estranha para os fins que tanto são enaltecidos em alguns estudos de processos 2.0. e congêneres. A colaboração aí é uma característica essencial, mas apenas na sua questão mecânica. No sentido de que alguém oferece o canal e outrem o utiliza. Particularmente tenho visto exemplos de processos colaborativos que caminham para propostas mais interessantes, sob o prisma da Comunicação como ação humana e social. E mais uma vez acabo percebendo a publicidade como servo gentil e traiçoeiro de interesses quaisquer. Uma idéia como a de Nescau 2.0. nasce para si, cresce para si e morre para si. Talvez esse tipo de comunicação que a Publicidade ali trabalhou (e, convenhamos, trabalhou muito bem) devesse ser chamado de 1.5.

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2 comentários

  1. Oi Pedro! Boa reflexão. Mas, se me permites um contraponto…

    Tenho muito medo de pensar que processos colaborativos sejam mais interessante sob o prisma da comunicação como ação social e humana. E que o resto (nisso entra a publicidade) aparece como “traiçoeiro de interesses quaisquer”.

    Meu medo se justifica pelo fato da colaboração ser comum e erroneamente equiparada à filantropia (raciocínio filantrópico). Isso é a negação do uso desse modelo para qualquer propósito comercial e, em se tratando de comunicação midiática, ainda falamos de empresas, de comércio, de capitalismo, de lucro. Uma coisa não exclui nem desqualifica a outra.

    O aprendizado, o envolvimento coletivo acontece tanto na Wikipedia quanto no OhmyNews quanto no comercial do Nescau 2.0.

    Todos partem do mesmo princípio: a colaboração. O que há são, digamos, “propostas editoriais” diferentes. E a diferença entre propostas comerciais e não comerciais não me parece subtrair nada do tanto que se lucra com a colaboração, em termos de construção coletiva do conhecimento.

    Mas muito boa tua reflexão. Mesmo. Abração!

  2. Oi Pedro,

    Meu nome o Franco Rosário, sou um dos sócios da Sociale Comunicação, a primeira ferramenta de propaganda colaborativa do mundo. Estou te escrevendo para te apresentar minha empresa e o conceito que criamos, acho que você vai gostar. É uma outra forma de encarar a publicidade 2.0.

    A Sociale é uma nova alternativa para empresas de todos os tamanhos divulgarem suas marcas, produtos e serviços. Nós criamos uma ferramenta colaborativa que une dois grandes grupos: de um lado, empresas e entidades com necessidades de comunicação; de outro lado, profissionais que podem suprir estas necessidades.

    Através de nosso site, qualquer empresa pode solicitar a criação de materiais de comunicação, online e offline, escolhendo o valor a pagar pela criação. Estes trabalhos são realizados por profissionais especializados, e funcionam como uma concorrência. Um vez publicado no site, o trabalho é avaliado pelos profissionais, e aqueles que decidem participar enviam suas opções de criação para avaliação do cliente. Temos, hoje, mais de 300 profissionais e 200 empresas cadastradas.

    Em nosso site há mais informações e um vídeo em flash que explica seu funcionamento. É uma idéia nova e interessante que acreditamos poder revolucionar a publicidade. O site é http://www.sociale.com.br e há mais informações também em um artigo que escrevi sobre o assunto no Webinsider.

    Gostaria de conhecer sua opinião sobre a empresa, fique à vontade para entrar em contato.

    Obrigado e um abraço,

    Franco Rosário
    Sociale Comunicação
    franco@sociale.com.br
    http://www.sociale.com.br
    Blogs: sociale.wordpress.com
    comunicacaodemocratica.wordpress.com

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