Pensando Comunicação Online, parte 1

Desde antes de entrar na graduação em Jornalismo eu já sabia da existência do termo meios de comunicação de massa, mas, sinceramente, jamais poderia imaginar que no encalço dessa alcunha viriam tantos pesadelos. E quando me refiro a pesadelos pretendo ater-me às impressões que até então acreditava estarem apenas associadas à demonologia oriunda dos processos maquínicos e selvagens do capitalismo em sua instância máxima.

Quando comecei a estudar mais sobre os modus operandi do tráfego de conteúdo na Internet, sob a tutela do prof. Jorge Rocha (grande amigo e aliado no alastrar do Império), percebi que existiam duas plataformas, dois palcos distintos, por onde se alinhavam as inserções jornalísticas e conteudísticas na web.

A primeira delas, atualmente dominadora do jeito de se conhecer a web, é aquela que gira em torno dos portais. E sobre seu modo de funcionamento e sobre seus méritos e deméritos falaremos em outro artigo. A segunda plataforma é herdeira do espírito que permitiu o nascimento de idéias e o desenvolvimento de procedimentos que deram outras caras ao mundo internet. Aliás, sinceramente, não sei se seria correto classificá-la como plataforma, uma vez que sua principal característica é a de não se permitir uma padronização de maneira a se encontrar parâmetros que pudessem classificá-la.

Para fins de definição conceitual, tratemos o tipo de internet irradiado pelos portais como WebDomes e o tipo de internet irradiado pelas plataformas livres como WebHosts.

A escolha destas expressões parte de pressupostos simplórios e, no entanto, capazes de condensar toda a amplitude de significados imersos na questão. Ei-los:

WebDomes: São mantidos a partir de uma sólida sustentação. Geralmente são grandes sites com milhares de páginas, com estruturas rígidas e pouco flexíveis, muito interessantes pela divisão editorial de notícias e informações e vasta carga informacional. Além de gigantescos bancos de dados e parcerias com publicações, outros sites, serviços variados voltados ao usuário e uma espécie de base de operações. Apesar do gigantismo, para se alinharem às concepções mercadológicas herdadas dos modelos comunicacionais offline, acabam por reproduzir os mesmos procedimentos. Como exemplos podemos citar: UOL, TERRA, G1, FOLHA, etc.

WebHosts: A escolha do termo Host (hospedeiro) é justamente para manter a capacidade destas plataformas de permitirem a instalação de serviços gerenciadores de conteúdo ou ceder suas engrenagens para estes fins, de maneira a dar mais liberdade ao autor/usuário para criar sua própria grade de serviços. Apesar de não serem vastos em termos de conteúdo, nem serem tão amplamente divulgados como bancos de dados, estas plataformas vêm oferecendo à comunidade web uma série de ferramentas e ambientes para não tão somente a inserção e edição de conteúdo, mas também têm se alinhado mais fortemente aos avanços da web 2.0., sujeitando-se cada vez mais à mescla e ao tráfego bilateral de conteúdo. Bons exemplos são as plataformas de blogs, wikis, fóruns e plataformas de conteúdo colaborativo: WordPress, Wikispaces, Orkut, MySpace, Digg, OhMyNews, SlashDot, Via6

Apesar do meu contato diário e intenso com a Internet, e apesar de meu grande interesse em observá-la como processo complexo e orgânico que se adapta às novas tecnologias com assustadora velocidade, sei da impossibilidade de fazer minha crítica acompanhar o feroz avanço da rede mundial de computadores em todas as esferas que lhe cabem.

Com minha formação acadêmica tendo sido voltada para a Comunicação Social, resta-me (e também honra-me) o fato de ter sido privilegiado com o contato com um arcabouço teórico mais recente que me possibilitou entrelaçar meu discurso e minhas percepções à uma série de apontamentos que vêm sendo estruturados por pesquisadores de todo o mundo.

Modelo de Shannon-Weaver

Podemos começar com uma das vigas principais do pensamento da Comunicação que orquestrou uma série de raciocínios ao longo dos estudos de Comunicação.

Para tanto compreendamos que o objeto da comunicação é a capacidade de um elemento em enviar sinais (gráficos, áudiovisuais, gestuais, sonoros, etc, etc) de maneira que um outro elemento possa decodificá-los e compreender. De acordo com a eficácia do método eleito, seu aprimoramento e lapidação são inevitáveis. Esse conjunto de recursos edificadores da comunicação serão aqui apresentados como a Mensagem.

Esquema de Teoria da Informação de Shannon-Weaver
(simplificado) EMISSOR -> CANAL -> (RUÍDOS) -> RECEPTOR

Para um entendimento básico do mínimo que as especificidades da internet alteram nesse modelo, deveríamos concebê-lo da seguinte maneira:

Esquema de Teoria da Informação de Shannon-Weaver
(simplificado) EMISSOR <-> CANAL <-> (RUÍDOS) <-> RECEPTOR

Mas obviamente muito mais coisa muda nesse tipo de alteração na mecânica de um processo altamente complexo. E muda ao ponto que uma simples reformulação na teoria, como apresentado no segundo modelo, não dá conta de toda a vastidão das mudanças.

A Teoria da Complexidade, de Edgar Morin

Para termos uma mera idéia do que falo aqui tentemos imaginar um cenário, uma paisagem, recheada dos mais diversos elementos que se organizam de uma maneira X. A própria organização destes elementos nesta paisagem imaginária se dá por intermédio de alguns fatores, entre eles os que considero principais:

– Configuração do terreno
– Configuração do ambiente
– Especificidades de cada elemento, de maneira que um deles não torne a existência de outro obsoleta; ou seja, se dois elementos distintos têm as mesmas funçõe, um deles tornar-se-á obsoleto e, de acordo com sua relação com o cenário e os demais elementos, será excluído ou não.
– Eficácia na própria auto-sustentação; ou seja, quanto mais simples, coerente, de fácil acesso, fácil assimilação e eficiência, mais facilmente um elemento sobreviverá.

Para analisar a Internet, então, devemos fazer uso de algum tipo de equivalência teórica que se aproxima desta situação apresentada, uma vez que a organização destes elementos e a paisagem podem ser facilmente comparados à organização dos serviços, programas e recursos na Internet. Entre as teorias estuadas, aquela que melhor nos serviu foi a Teoria da Complexidade, de Edgar Morin. E é esta teoria que estenderemos à nossa frente para que possamos compreendê-la em um panorama macro e outro micro. A partir daí, o inevitável acontecerá: novas reformulações no pensamento, uma vez que o pensamento de Morin antecede as revoluções da web e da web 2.0.

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