Mitos 05 e 06: Comércio Online

Crítica de ‘Os 10 Mitos da Internet’ de Karl Albrecht

E continuemos com nosso esforço de rebater as ‘leituras indispensáveis’ da Folha para quem quer conhecer melhor a Internet. De acordo com o jornal, este artigo de Karl Albrecht, chamado ‘Os 10 Mitos da Internet’ é uma leitura obrigatório, uma referência sobre o assunto.

Por aqui, neste espaço blog, temos criticado, de maneira ácida (confesso), os vômitos que Karl Albrecht, um pseudo-guru de tecnologia, tem jogado sobre tudo que se tem de trabalhos sérios sobre o tema de Comunicação Mediada por Computador. Em muitos outros casos, vale ressaltar, o pseudo-guru supracitado, ainda apresenta pontos de vista atrasados, permeados por uma total obsolescência de suas observações acerca da rede mundial de computadores.

Se já não nos bastasse que Albrecht tenha chamado o que ele considera como ‘comunidade mundial’ (aquela nascida dos processos sociais mantidos na Internet) de nomes ‘feios’, ele ainda continua apontando ‘Mitos’ que hoje são tão comuns quanto ler e-mails e visitar o Orkut (no caso dos brasileiros) ou o Facebook (no caso dos europeus).

Em seu mito 04, Albrecht diz que a única comunidade a restar depois que todos migrarem para outra tecnologia ‘será a dos pervertidos, pornografistas, pedófilos, cafetões, piratas e uma miscelânea de desnorteados e descontentes’. Inspirado no teor chinfrim das críticas de Albrecht, não o poupo por seus dizeres proféticos, que não passam, como eu já disse, de bravatas e ruminanças.

Vejamos o Mito 05.

Mito nº 5: a rede mundial revolucionará o marketing. Nem que a vaca tussa. Esse é o mais sagrado dos cânones da “teologia Internet” e é também o menos provável de se concretizar. Na maioria, os que vendem coisas online são pessoas da Internet negociando umas com as outras. Com poucas exceções, o marketing das homepages, o marketing de mala direta em massa e as compras on-line são – e continuarão sendo – uma grande sonolência. Muitas das grandes empresas encaram sua página corporativa na Internet como um modismo ligeiramente mais sofisticado.

“Pessoas da Internet negociando umas com as outras”. Quem estas as ‘pessoas da Internet’? Sinceramente tenho grande dificuldade em entender algumas coisas que escorrem pelos labirintos encefálicos de Albrecht. Avançando em suas palavras, vemos outra grande besteira: “Com poucas exceções, o marketing das homepages, o marketing da mala direta em massa e as compras online são – continuarão sendo – uma grande sonolência”. Podem até ter sido, mas não entendo com que autoridade Albrecht informa que ‘continuarão sendo’. Vejamos alguns números recentes.

  • De acordo com a empresa e-bit, o comércio online brasileiro deverá crescer de 20% a 25% em 2009, superando a marca dos R$10 bilhões de reais. Prevê também que o número de consumidores chegue a 17 milhões neste ano, ante os 13 milhões de 2008.
  • Os artigos mais vendidos na rede foram os Livros, correspondendo a 17% do volume de negócios concretizados em 2008.

stats-commerce

Quando Albrecht fala que “Muitas das grandes empresas encaram sua página corporativa na Internet como um modismo ligeiramente mais sofisticado”, ele mostra mais uma vez sua incapacidade de perceber a evolução dos processos comunicacionais online. Atualmente pode-se comprar um carro sob medida no site da montadora, utilizando as peças e serviços como um self-service. O mesmo tipo de situação se aplica aos mais variados cenários mercadológicos. Tiremos como base a revitalização da Dell após uma série de bem empreendidas ações de marketing online. A própria campanha de Barack Obama, atual presidente dos Estados Unidos, mostra o poder do marketing online quando bem empregado.

Podemos dizer que as considerações de Albrecht sobre o ‘Mito 05’ esvaziam-se à medida que lemos e associamos com nossa realidade. Mais um zero para Albrecht.

Caminhemos para o Mito 06.

Mito nº 6: a Internet eliminará os intermediários. Presumivelmente cada uma dos 40 milhões, 50 milhões ou 100 milhões de pessoas na Internet pode fazer negócios diretamente com cada uma das outras. Se você quiser vender seu carro, basta mandar uns 10 mil anúncios por correio eletrônico e os interessados irão até sua página na Web. Isso pode até funcionar em uma população ao redor de mil pessoas. Mas com milhões de usuários o engarrafamento de informações ainda fará do classificado de US$ 5 no jornal uma opção melhor. Esse mito é um exemplo típico da aplicação do pensamento da “Segunda Onda”, ou seja, marketing de massa, em um fenômeno de “Terceira Onda”, de marketing personalizado. É como um gigantesco programa de entrevistas sem entrevistador. A vasta gama de fontes de dados da mais alta qualidade por si só aumentará a demanda por intermediários, em vez de reduzi-la.

Inacreditável! Depois de tantas contradições e bravatas proféticas, temos que concordar que Karl Albrecht acertou em cheio uma questão. Apesar de não propor nada, o autor, na minha opinião, claro, acerta ao dizer que “a vasta gama de fontes de dados da mais alta qualidade por si só aumentará a demanda por intermediários, em vez de reduzi-la”. Este é o pressuposto da Cartografia da Informação. Precisa-se de orientação dentro do caos informacional que se estende Internet à frente.

A gigantesca quantidade de informações é um grande problema para o processo comunicacional mediado por computadores. A organização deste conteúdo é primordial para que se possa assimilar o conteúdo com menos ruído e mais precisão.

Na Internet 2.0. todos são estimulados a participar, a falar, a manifestar. Organizar as informações oriundas deste estímulos é uma tarefa titânica, mas cada vez mais necessária. Dos mitos apresentados até agora, o mais relevante (talvez o único) é, sem dúvidas, este. Congratulações a Albrecht para esta observação.

 

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Apresentação

Crítica dos Mitos 01 e 02

Crítica dos Mitos 03 e 04

Crítica dos Mitos 05 e 06

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1 comentário

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