Manda quem pode… e pode por quê?

Imbróglios como o que envolve atualmente Julian Assange e o Wikileaks não são necessariamente novos. Basta lembrar que a batalha travada entre The Pirate Bay e a indústria fonográfica também contou muitos “mortos e feridos” entre aqueles que bravamente se posicionaram, de um lado ou do outro da questão.

Mas o que é novidade na situação enfrentada por Assange, Wikileaks e milhares de outras pessoas pró-WikiLeaks é a inevitabilidade do embate com peões recrutados pelo poder estrutural dos EUA no que se refere à Internet de maneira geral.

Sites como PayPal e Amazon são referências na Internet. Não apenas por terem alçado vôo em inovações tecnológicas que revolucionaram certas práticas no mundo digital, mas também por terem se transformado em gigantes parcialmente responsáveis pelos movimentos tectônicos da rede mundial de computadores.

Tectônicos por terem impacto em toda uma superfície supercapilarizada de milhares de outros sites e indivíduos que fazem uso de seu suporte ou de seus serviços de modo quase natural. Para muitos, pagar via PayPal é tão natural quanto pagar com um cartão de débito nas compras do dia-a-dia.

Assim, estruturalmente, decisões tomadas no back-end da Internet interferem diretamente nos interesses da superfície, como pudemos observar de camarote nas ações tomadas por estas empresas em relação à sua presença online e ao interesse de superestruturas que, por deterem um poder material e estrutural, sentem-se no direito de intervir como bem entendem em variados níveis da rede.

Como reportado pelo próprio PayPal, uma pressão externa do Departamento de Estado dos Estados Unidos, forçou o site a abrir mão de todos os direitos concedidos ao Wikileaks como utilizador de seus serviços. Antes de qualquer tipo de julgamento ou condenação referente ao Wikileaks (e não às ações de Julian Assange que, ainda que contestáveis, tramitam em separado na Corte Sueca), ele já era sumariamente executado pelos peões do jogo.

O que se viu foi uma forte manifestação de vontade, alicerçada pela posse e controle da estrutura da rede, de um governo que deseja o fim do Wikileaks. Insensível à percepção do resto do mundo dos “favores” feitos pelo Wikileaks à comunidade internacional, o Paypal, assim como outros sites, preferem partir de seus próprios julgamentos (feitos com “evidências” fornecidas por uma das partes interessadas) para fulminar a presença de um de seus clientes na Internet.

Ora… Serviços como o do Paypal são de grande importância para milhares de iniciativas que dependem da ajuda do público, principalmente com doações, que podem ser de 1 dólar a centenas de milhares. A grande questão é que o serviço foi comodamente e convenientemente alinhado a uma idéia de “mau uso” de acordo com quem? Com o PayPal ou com o governo dos EUA?

A discussão que tem que ser feita é:

Manda quem pode… mas pode por quê? Quem garante tal poder?

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