Internet no Brasil: Colônias e Domos

Artigo postado originalmente no NewsVine, em 30 de Janeiro de 2006

Eu bem me lembro dos meus primeiros contatos com algo semelhante à Internet… As antigas BBS. Aqui, próximo da minha cidade, existia uma em Divinópolis, e, para brincar de conversar com outras pessoas através do computador eu engordava a conta telefônica devido às chamadas interurbanas.

A Internet cresceu desde aqueles tempos… Cresceu demais. Hoje praticamente qualquer tipo de serviço oferecido na televeisão têm um site ou contato via email.

Assim como no mundo real, o mercado de imóveis da internet começou a crescer depois de um tempo de colonização e expansão. Após a tecnologia alcançar a população e os provedores de acesso começarem a oferecer planos atraentes, milhares de novos usuários foram ganhando seus espaços, suas contas de email, seus registros em sites, em listas de discussão. Destes pontos, que exigiam pouca experiência com a nova tecnologia, alguns usuários partiram para o interior da net, como bandeirantes, e ali começaram a fundar novas colônias, libertas das configurações já padronizadas por alguns sites de provedores visionários e conquistadores, como foram Zaz e Uol.

Mais acesso… Mais banda, mais conexção, mais kbs de acesso, mais serviços e mais recursos. Som e imagem já eram transmitidos quase que sem interferência pela rede. Rádios e canais cresceram. Grandes nomes de vários campos da comunicação passaram a ver na Web um local ideal para ganharem mais espaço e liberdade editorial. As salas de bate-papo, sempre lotadas de usuários das mais variadas idades e experiências, começaram a se transformar em laboratórios de comunicação,  desenvolvendo códigos e tradições entre os usuários, além de permitirem a criação e constante atualização de uma linguagem muito própria do meio virtual, onde a velocidade ultrapassa, literalmente, a qualidade.

Em meu artigo eu poderia agilizar minha teoria se utilizasse exclusivamente do Internetês (em sua versão brasileira). Mas ciente d q mtas das minhas frases sairíam prejudicadas e o contxt necessario p q os leitores possam ntndr oq kero seria vitima d sua propria essencia, eu preferi n usar d qlqr termo do vulgo “internetês”.

É muito fácil navegar na internet e não conhecer nem uma fração de seu espaço. Muitas pessoas, principalmente no Brasil, ainda estão dentro de um domo criado pelos provedores de acesso, que aglomeram serviços e publicações, sites de jogos e e-commerce. De maneira geral percebe-se que a tarja da Uol está sobre o cabeçalho de dezenas e dezenas de sites, e cada vez cresce mais. Esta é uma tendência que reproduz os acontecimentos do período pré-IG.

Refiro-me a período pré-IG todo aquele tempo em que a Internet já estava na “mesa” dos brasileiros, no entanto, o provedor pago aidna era uma central de acesso, criando verdadeiras internet paralelas, de maneira que alguns grupos de usuários jamais saíam das paredes do provedor. Oferecendo conteúdo vasto e completo, o Uol, por exemplo, conseguir criar um domo sobre seu acesso. Muitos e muitos de seus usuários encontram o que querem dentro das fronteira do Uol, mas, jamais encontrarão a verdadeira magia da Internet, quando a palavra informação mescla-se à palavra sem limites e à liberdade de expressão.

Até a chegada do IG, por exemplo, querendo ou não, o usuário estava dentro de um feudo, governado pelo seu provedor, porém, sem que tal provedor ou o próprio usuário percebessem. Quando a IG lançou a moda dos provedores gratuitos, o usuário começou a perceber que não é necessário ficar somente nos limites do provedor para navegar. Mais usuários entenderam que poderiam encontrar as pessoas de acordo com suas vontades. Outro “boom” no sistema de construção de sites brasileiros.

Ferramentas como a HPG permitem que cada um faça seu site e cresça ainda mais a internet. No entanto, a felicidade do brasileiro durou pouco, pois, em questão de meses, a Globo.com havia comprado o HPG e privado o acesso que antes era gratuito. Ótima jogada para a Globo.com, péssima jogada para o resto dos brasileiros. É bom lembrar que mesmo com o crescimento na “construção civil” da Internet, as ferramentas empregadas eram todas ainda importadas. Pouco serviço genuninamente brasileiro existia para a Internet das massas.

Grandes fusões já haviam acontecido. Zaz agora era Terra. Uol agora era dona da maior rede de provedores franqueados, chegando a cidades como a minha, de pouco mais de 80 mil habitantes.

O Blog virou moda. Um recurso que poucos usavam agora havia caído nas graças das “massas da web”. Todos possuíam um blog, e poucos tinham algo que realmente valesse ler. No entanto, a liberdade de informação ganhou mais uma guerra e flagras e denúncias diversas despontaram em blogs ao redor do mundo. A cobertura de eventos era feita quase em tempo real. O recente tsunami que assolou o Oceano Índico foi pauta de centenas de blogs cujos donos estavam naquelas áreas afetadas.

Para variar, depois de uma boa notícia, vêm sempre as péssimas notícias. Os blogs começaram a perder espaço para os Fotologs, uma ferramenta que potencializou o voyeurismo na Internet e ativou ainda a mais o culto à imagem, e não o culto à informação. No Brasil os fotologs se espalharam rapidamente. Nos laboratórios das faculdades e em empresas com acesso banda larga, não se fazia outra coisa que não fosse acessar centenas de milhares de fotologs e bisbilhotar um pouco a vida alheia. Neste tempo alguns blogs haviam crescido além do esperado e seus donos ganharam respeito e dinheiro. Alguns viraram verdadeiras colunas de jornais, com uma credibilidade limpa que competia com a de grandes veículos da imprensa.

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