DIÁSPORA*

Há alguns meses o amigo Lucas Morais, editor do Diário Liberdade apresentou-me o projeto DIASPORA(https://joindiaspora.com/). De imediato achei a ideia muito interessante, principalmente por se tratar de um projeto coletivo voltado para o coletivo. Isso soa tão coerente com os conceitos que, ao meu ver, são pilares da Internet.

De todo modo, “descentralização” e “horizontalização” deixaram de ser(ou sequer chegaram a se tornar) perspectivas de projetos realmente voltados para a comunidade online. Desde a vinda do Orkut, todos os projetos de redes sociais não passaram de propostas unilaterais que contavam com grandes investimentos estruturais e sistemas de alta performance pouco customizáveis que submetiam os usuários às políticas (muitas vezes questionáveis) do ‘mantenedor’ da estrutura.

O próprio Zuckerberg (criador do Facebook) enfrentou problemas com autoridades, público, usuários, parceiros, empresas e anunciantes, quando do vazamento de informações que apontavam para a ‘venda’ velada de informações ‘sensíveis’ dos usuários do site para grandes anunciantes.

Mas quando recebi o convite para o DIASPORA, ainda em fase de desenvolvimento, senti-me muito à vontade para explorá-lo melhor. Primeiro pelo fato de o sistema ser similar a outros, o que, de fato, facilita o aprendizado de sua lógica de imersão e funcionamento. Segundo pela proximidade que consegui com pessoas diretamente ligadas ao desenvolvimento do site.

E foi assim, em ‘poucos cliques’ que consegui me inteirar da proposta louvável do Projeto DIASPORA. Proposta esta que compartilho com vocês.

DIÁSPORA*

Parafraseando o blogueiro Jason Paul (http://jasonpaul.net/2011/10/the-promise-of-diaspora/), um dos parceiros da comunidade de desenvolvedores do DIASPORA:

Now that the dream is in alpha reality and I have joined the network I can tell you that Diaspora is not exactly an alternative to Facebook (although for some it is). What I’ve come to realize is that Diaspora represents the future of social networking.

Agora que o sonho está em realidade ‘alfa’ e eu entrei para a rede, posso contar-lhes que Diáspora não é exatamente uma alternativa ao Facebook (apesar de ser para uns). O que eu percebi é que Diáspora representa o futuro das redes sociais. (tradução livre)

Essa percepção de Paul vem do universo de possibilidades que DIASPORA abre a quem quer fazer crescer e se desenvolver a rede. Sua proposta é abrangente. Sua organização é liberta. Seu código é um convite. E sua estrutura é aberta.

Mas ainda há um longo caminho a se percorrer, e o que anima, pelo menos no meu caso, um confesso entusiasta dos movimentos livres da Internet, é ver que há muita disposição em transformar DIASPORA num projeto muito maior.

PRINCIPAIS PONTOS

Em um primeiro momento um desavisado acharia a arquitetura e o modus operandi de DIASPORA muito similar a uma mescla de Facebook e GooglePlus (G+). De fato há sim uma grande similaridade, principalmente no aspecto estético.

No entanto, em termos de proposta, DIASPORA se desenvolve em linha diametralmente oposta aos dois ‘concorrentes’ supracitados. E essa caminhada em sentido oposto é favorecida por três principais pontos:

Arquitetura Descentralizada: PODs

Quer ter certeza que suas informações não estão sendo utilizadas por ninguém? Que tal ter seu próprio servidor?

Este pode ser um cenário improvável para a maior parte dos projetos orientados ao enriquecimento de seus donos, como é o Facebook, mas, no caso de DIASPORA, a própria audiência é encorajada a ter servidores próprios, os chamados PODs.

Talvez seja neste momento que o alcance de um sistema de rede social descentralizada (até então apenas uma possibilidade) aconteça. Assim, além de estarem em um mesmo patamar interativo, pessoas, entidades, empresas, instituições, etc. estão também em um mesmo patamar estrutural.

Anos atrás questionei a possibilidade da tão enaltecida ‘liberdade online’ se toda a estrutura onde esta se desenrola estava fadada ao controle de uns e outros. Com a arquitetura de pods viabilizada pelos criadores de DIASPORA, o controle da estrutura está, pela primeira vez, de fato, nas mãos da comunidade.

Código Aberto

Quem quiser colaborar com o código pode fazer isso. DIASPORA é mantido em código aberto, de modo a permitir atualizações e alterações vindas de sua própria comunidade. Este tipo de procedimento aumenta a segurança da aplicação por dificultar o alcance de ameaças destinadas a ataques em massa, ou seja, quanto mais específico e personalizado for o código, mais difícil para um programa nocivo, vírus ou worm infectá-lo.

Além disso, tal qual pode-se ver em plataformas como o WordPress, toda a comunidade ganha com as seqüentes atualizações do código e o desenvolvimento de outros programas e aplicações livremente.

Comunidade de Desenvolvedores e Utilizadores

Quais outras redes sociais estão abertas à ação da sua comunidade? Em DIASPORA há uma grande projeto acontecendo, que vai, pelo menos por agora, além da simples participação da rede.

Há um projeto de mundialização da proposta. Pessoas de várias nacionalidades se unem para traduzir o código (comentários) e o site em si. Outros tantos se unem para melhorá-lo constantemente. Outros se unem para pensar em maneiras de divulgá-lo, de melhorá-lo conceitualmente.

Além disso, DIASPORA tem atraído pessoas que, de um modo ou de outro, engajam-se em temáticas emancipadoras, o que permite a cada novo interessado abraçar um projeto em franco crescimento, construído e mantido coletivamente.

Comparação de Jason Paul


Entrevista na íntegra com Yosem Companys, diretor de comunicação do Projeto Diáspora:

1. First of all: tell us about you, what you do in DIASPORA Project.

Max runs the day-to-day operations of Diaspora.

Sarah Mei is the Chief Technology Officer.

Dan runs the products and UI/UX.

Ilya manages privacy, security, and the open-source developer community.

Yosem manages business development, marketing, and grasroots.

Peter Schurman runs communication.

2. What the DIASPORA staff thinks about “Internet” “Online Freedom” and “Social Media”?

Existing social media companies make money by monopolizing your data, selling these data, and serving you targeted advertisements. Monopolies are inimical to freedom. It’s a feudal system: Their your lord and master, and you’re their servant. This is wrong. This is your data, and as an individual, you should have the power to own your own data and do with it what you please.

Diaspora has a unique technology that frees you from this system by enabling you to install the Diaspora software on your own server and thus own and control your own data. In this way, Diaspora enables you to be a modern day Leonardo Da Vinci, where you become your own artist: whatever you create or share belongs to you and you alone. If someone wants to use it for commercial purposes, then they should have to pay you for that privilege.

3. Whats the great idea behind DIASPORA project?

Diaspora’s secret sauce is in it being open-source and decentralized. Some people believe that these are difficult concepts for the mainstream user to understand, but they’re actually quite simple:

• Open-source just means that anyone can see the software code and modify it to make it better. This means that Diaspora has the potential to be more secure than existing solutions, and users can be confident that Diaspora will not place hidden back doors to leak your data to 3rd parties without your permission or consent. Compare this to existing social networks, where you can’t see the software code, and just have to trust them that the code is secure.

• Decentralized means that you have your own personal pod, someone else has their own personal pod, but both pods can still communicate with each other. In doing so, we can guarantee you that you own your data and no one else gets access to it without your explicit permission.

4. Some social media projects are “money oriented”. How can you define the purpose of DIASPORA?

Diaspora is 100% non-commercial, community-run and managed. We listen to our users and build the features they want. Unlike existing social networks, we have no incentive to sell your data or to serve you advertisements.

5. How to keep the project working without ads money?

Making money is only important to us to the extent that it enables the Diaspora Project to become self-sufficient. To this end, we enable you to own your own data, copyright it, and license it to companies you care about in exchange for compensation from them in terms of goods and services. Such a system is entirely opt-in, so you could participate or not, as you see fit.

6. How much “open code” is the project?

The Diaspora project is 100% open. Developers who choose to build applications that run off of Diaspora, however, may choose to make their code closed or open, as they see fit.

7. On the front page of JOINDIASPORA you offer a link teaching users to install their own pods. Can you explain us the the POD idea? How much pods the project have?

A pod is simply a server running the Diaspora software. There are two types of pods — personal pods and community pods:

• A personal pod is one where the network includes you alone, or you and your friends, your family, and/or your colleagues. Personal pods are usually private, so we have no way of knowing how many personal pods exist on the Diaspora social web. That’s the point: You own and control your own data and do with it what you see fit.

• A community pod, on the other hand, is one set up to be public. We have our own at JoinDiaspora, but there are others like Geraspora and Diasporg. Anyone can join these pods, of which there are currently over 20. A full list of pods and their performance can be found at http://podupti.me/ and podup.sargodarya.de.

8. Some people and media call DIASPORA an anti-facebook project. Do you agree with it? Why do you think people say it?

When the media says that we’re the anti-Facebook, it’s usually because they assume that we’re a social network. But we’re actually a social web, not a classic social network. What do I mean by this? A social web is a network of networks, where every person who runs Diaspora software on his or her own pods can still communicate with other pods. That’s quite an innovation for the social networking space.

In this sense, we’re really not an anti-Facebook project at all. Our communication protocols are open and free such that Facebook could continue to provide its service as an open community pod on the Diaspora social web. You know how you can send an email from Gmail to Yahoo, and vice versa? That happened because the World Wide Web tore apart AOL’s early monopoly in that space. But you still can’t do that on social networking today, say sending a status update from Facebook to Google+, and vice versa. We’re working to make this vision a reality. Diaspora’s communication protocols make it possible for Google+ users and Facebook users to connect to each other. Of course, it’s unlikely that these companies will choose to participate in the short term because we’re a fairly young organization and because these companies have an incentive to keep your information walled up so they can make money off of it. Information wants to be free, but if these companies allow your personal information to be free, they will lose their ability to make money.

9. DIASPORA borns where other have failed?

I think the key difference between Diaspora and other projects is that we’re really a community of people trying to reinvent the social web. We’re supported by donations, we have more than 130 open-source developers, which ranks us among the top 2% of all open-source projects. We have hundreds of grassroots volunteers, blogging, spreading the world, providing support, and so on. We all have a passion to change the social networking space, and as long as we work together, we will prevail.

10. Whaths the DIASPORA Project’s future? Did you ever received any “commercial” approach? How will you deal with it?

The Diaspora project will always be non-commercial. But many will be able to build commercial applications that work off of Diaspora in the same way that others have done for Linux.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s